A eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo não chegou propriamente a surpreender. Afinal outras equipes campeãs mundiais e com grande prestígio também foram mandadas embora sem muitos rodeios.

Talvez tenha sido surpreendente a forma como a seleção de Tite foi derrotada pela Bélgica. Sinceramente, a nossa maior preocupação seria no confronto com a França, numa eventual semifinal. Mas o desastre aconteceu antes, diante do eficiente futebol apresentado pelos belgas, que desconcertou o time e o próprio treinador que demorou muito para entender o que estava acontecendo dentro de campo.

Além do risco assumido de ter escalado Marcelo na ala esquerda, após breve recuperação física, e de ter insistido com Paulinho, Willian e Gabriel Jesus que, lamentavelmente, cumpriram atuações irregulares durante o torneio, Tite demorou para mexer no time.

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Quando promoveu as três alterações a seleção melhorou, cresceu e por absoluta falta de sorte não alcançou o empate.

Mas a seleção continua com prestígio, apesar do tremendo desgaste sofrido por Neymar pelos motivos amplamente conhecidos. Culminou com a sua ausência na relação dos dez melhores jogadores do mundo, algo inacreditável antes de a bola começar a rolar na Rússia.

O que tem chamado a atenção de todos é a grave crise de um futebol sem rosto.

A má administração e os escândalos sempre fizeram parte da Confederação Brasileira de Futebol. Das prosaicas viradas de mesa promovidas para atender os interesses deste ou daquele clube até o indiciamento, pelo FBI, dos três últimos presidentes, muita coisa aconteceu.

O representante da CBF descumpriu acordo firmado com a Conmebol para votar em bloco nos países escolhidos como sedes para a Copa de 2026. Pegou muito mal.

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Entretanto, esses sintomas vêm de longa data e o futebol brasileiro conseguiu conviver com eles, mesmo nos momentos de sua maior glória.

No auge das conquistas do tricampeonato mundial os grandes craques conseguiram abafar crises e, inconscientemente, colaboraram para esconder a incompetência dos cartolas.

Chegou-se ao cúmulo de a seleção contar com quatro treinadores ao mesmo tempo antes do comando ser entregue ao cronista esportivo João Saldanha.

Apesar de tudo isso, o time respondeu em campo e até hoje a excelência do nosso futebolista continua indiscutível.

Só que ultimamente, apesar da aura do futebol brasileiro continuar existindo, e o pentacampeonato o distinga dos demais, não se vê mais uma quantidade razoável de talentos. No plano individual nos resumimos praticamente a Neymar que, como se sabe, ainda não conseguiu se aproximar do prestígio de Romário, Rivaldo ou Ronaldo, só para citar alguns ídolos mais recentes.

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Mas a grande crise está mesmo dentro da CBF com a conivência da maioria dos clubes que acabaram de eleger o candidato indicado pela situação.

Observando a CBF, o que é côncavo de um lado aparece convexo do outro. Depende apenas do ângulo de visão.

Estranhamente não se observa nenhum movimento para mudar o panorama, para alterar o atual estado das coisas e muito menos indicar a possibilidade de algum tipo de transformação na gestão da entidade a curto ou médio prazo.

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