A demissão do técnico Julen Lopetegui do Real Madrid surpreendeu o mercado futebolístico mundial.

Afinal, Lopetegui comandou o famoso time, atual tricampeão europeu, por apenas 14 jogos.

Pouco antes, ele já havia jogado a sorte fora ao provocar o seu afastamento da direção da seleção da Espanha a uma semana do inicio da Copa do Mundo na Rússia.

A super-valorização dos treinadores deu-se na virada do futebol-arte provocada pelo jovem Pepe Guardiola no Barcelona.

Na década de 1970, quando a seleção brasileira tricampeã mundial encantava sob o reinado de Pelé, o cineasta italiano Píer Paolo Pasolini manifestou-se. O gênio rebelde do moderno cinema italiano cunhou a distinção entre o “futebol de prosa”, europeu, e o “futebol de poesia”, brasileiro.

Com o passar do tempo o chamado “futebol força” foi ganhando espaço e dominando completamente o cenário. Até que se deu a virada do futebol-arte na primeira década deste século.

O “jogo bonito”, tido como obsoleto pelos pragmáticos e profissionais oportunistas que não contavam com jogadores talentosos em suas equipes, foi revivido pelo Barcelona de Xavi, Iniesta e Messi. Logo acompanhado pelo Real Madrid e outros grandes times que brilham intensamente.

Guardiola, atualmente fazendo sucesso no Manchester City, tornou-se o símbolo da modernidade estratégica. Obviamente foi seguido por vasta legião de admiradores, entre eles, o ambicioso Julen Lopetegui.

Só que ele se transformou em exemplo de má condução na carreira: no espaço de 139 dias perdeu dois dos maiores empregos do futebol europeu.

Não foi ético com a Federação Espanhola ao aceitar a proposta do Real Madrid sem comunicá-la. Foi mandado embora da Rússia deixando abalada a seleção da Espanha, uma das favoritas para o Mundial. Fernando Hierro, diretor técnico da seleção, o substituiu na última hora e o time fracassou no torneio.

Sem Cristiano Ronaldo o gigante do Santiago Bernabeu perdeu a referência. Mesmo com craques como Sergio Ramos, Marcelo, Casemiro, Modric, Bale, Isco, Benzema, entre tantos, a realidade é que Lopetegui simplesmente não conseguiu manter o alto nível de atuações da equipe. Após a humilhante goleada de 5 a 1 para o Barcelona ele perdeu tudo em 5 meses.

A arte de ser técnico de futebol bem sucedido vai muito além das quatro linhas do gramado.

Temos um exemplo local de pessoa simples, equilibrada e capaz que sabe se conduzir na carreira: Tiago Nunes que reabilitou o Atlético.

Campeão paranaense com o time aspirante do Furacão competindo com as formações principais dos demais concorrentes, ele substituiu Fernando Diniz no comando do time que se encontrava na zona de rebaixamento da série A.

Hoje, o Furacão encontra-se na oitava colocação do Campeonato Brasileiro e classificou-se para as semifinais da Copa Sul-Americana.

Discreto, mas muito eficiente no trabalho, Tiago Nunes convenceu um grupo tecnicamente mediano de que teria capacidade de dar a volta por cima e mostrar o seu valor.

Sem craques, sem estrelas, mesclando alguns veteranos com revelações promissoras, o Furacão vem encantando com o seu futebol vibrante.

Duas histórias que parecem parábolas: a decepção de Julen Lopetegui no milionário Real Madrid e a alegria de Tiago Nunes no modesto Atlético.

 

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