Pelo Brasileirão, Athletico 2 x 2 Flamengo.

Sem emoção, vamos raciocinar. Um resultado de um jogo não pode ser analisado dentro dos conceitos do justo ou injusto. É que no futebol, nada ocorre por acaso. Por mais imperceptível que seja, há sempre um fato que explica os números. Se não é o jogo com a bola, é o jogo com a alma.

Bem por isso, há uma verdade inatacável: o Furacão não merecia perder esse jogo da Baixada contra o Flamengo. Se na virada dos tempos saiu perdendo com os dois de Gabigol (2x0), foi porque levou ao extremo a obrigação de não perder e, por isso, descontrolado, se auto imobilizou, como se carregasse o peso de uma tonelada.

Mas, daí, na etapa final, controlando os nervos, projetou a sua alma. E não há nada mais lúcida e forte do que a alma atleticana. Com a torcida na Baixada, a sua capacidade é inesgotável para alcançar o que, às vezes, parece ser já improvável.

O que seu viu no segundo tempo, foi o Athletico na melhor das suas versões que é aquele voltou a ter fé em si mesmo. O que se viu, foi um Furacão incontrolável, empurrando o Flamengo para o seu campo e anunciando que estava jogo, em busca do justo.

Há muito tempo esqueci dos fantasmas, mas o Furacão tinha que fazer um esforço de Hércules para superar o Flamengo, as suas deficiências e as intenções duvidosas da arbitragem, como no lance em que Vitinho golpeou Pedro Henrique na área carioca. Em lance idêntico, a arbitragem puniu o Athletico com o pênalti que Pedro bateu para empatar o jogo de ida da Copa do Brasil.

Foi extraordinariamente perfeito nessa missão: submetendo o Flamengo ao seu domínio, marcou o primeiro gol com Kayzer (17’), e depois, poderia ter empatado com o mesmo Kayzer que perdeu com goleiro Diego fora do gol (42’).

Se Terans, Marcinho, Cittadini, Nikão, Erick e Kayzer cansaram, a alma atleticana continuava com um folego de criança. Foi ela quem aos 49’ deu forças à perna esquerda Nikão, que cobrando um escanteio de forma olímpica, fez a bola, em curva, chegar a Bissoli que empatou, 2x2. Uma bola, um gol e um momento na Baixada, que nem a morte é capaz de apagar.

Não teve o melhor jogador.

O que teve foi uma espécie de Ben-Hur puxando o remo da galera romana, como o personagem de Charlton Heston: Renato Kayzer.

Essa coluna é uma homenagem à memória de Nelson Santos, radialista e atleticano dos grandes.

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