Na Baixada, pela Sul Americana, Furacão 2 x 0 Peñarol.

Em Montreal, vejo o Athletico jogar pelo canal Bein Sports, uma subsidiária da Al Jazeera. Na narração, superlativa por ser em espanhol, o “Athletico Paranaense é um timaço”, e Nikão é “um espetáculo”. Não nego que fui dominado pela emoção do orgulho e senti saudades da Baixada. E aí lembrei de minha saudosa mãe Adelaide, que quando eu sentia saudades de ver o Furacão me consolava: “Ouça o rádio. Longe dos olhos, perto do coração”.

No futebol, todas as opiniões são provisórias. Mas há uma definitiva: o fascínio que provoca a força espiritual do Athletico.

Golpeado, mesmo que às vezes, seja por si próprio, opõe uma resistência comovente. Impondo a essência do Furacão, reage. E, com essa capacidade interior, vai atravessando temporadas sempre com uma grandeza competitiva que consegue superar até o que era tratado como improvável. O notável argentino Jorge Valdano, define esse estado como a representação do orgulho, da identidade e da ambição de grandeza de um clube.

Bem por isso, o Furacão vai decidir a Sul Americana, dia 20 de novembro, em Montevidéu. Contra o Bragantino, que se submeteu a uma cirurgia plástica pela Red Bull, vai jogar pelo bicampeonato.

E vai sem traumas. É que o jogo contra o Peñarol, que prometia ser jogado num ambiente de tensão, o Furacão transformou-o em um simples ato formal de regulamento. Foi como se precisasse apenas bater o carimbo.

Furacão não se expõe e Nikão faz a diferença

Paulo Autuori ordenou o Athletico de acordo com as necessidades do jogo. Podendo perder até por 1 a 0, armou-o com um equilíbrio perfeito. Nem tanto recuado, nem tanto ofensivo, marcou com Nikão aos 23 de jogo, tendo como trânsito uma jogada do especial Terans.

Bem que o Peñarol quis reagir e a arbitragem (o VAR, inclusive), quis ajudá-lo. No pênalti marcado aos 33, não houve a falta. Orientado por Terans, ex-Peñarol, Santos ficou parado no meio da meta, esperando o chute de Ceppelini. Defendendo, Santos desligou definitivamente os uruguaios.

E, aí, na etapa final, o Furacão deu um show de bola. Equilibrado, fez os uruguaios de bobos. Tocando a bola, fez os uruguaios correrem sem um destino. E, aí, entrou Pedro Rocha, que lançado por Nikão, aos 34, fez 2 a 0.

Nikão, que é um espetáculo, sem aspas, por ser também em português, foi o melhor do jogo.

Essa coluna é em homenagem ao médico Paulo Boscardim, atleticano de berço

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