Não há sentimento que pese tanto na vida como o sofrimento. O sujeito que sofre, seja qual for o motivo, envelhece todos os dias. Mas eis que sou invadido por uma sensação estranha. O Athletico, esse danado, é tão grandioso que a sua capacidade de despertar sentimentos contraditórios ou improváveis, não tem limites.

Agora que o jogo do Maracanã terminou 0 a 0, confesso que fui surpreendido: o sofrer pelo Furacão faz bem, não envelhece.

Insensivel é aquele que pensa que o atleticano sofreu. As defesas extraordinárias de Bento na etapa inicial, a bola que foi cortada pelo menino Khellven na risca do gol, a bola na trave chutada por Gabigol, a posse de bola e o campo sob um domínio intenso do Flamengo, tudo isso estava no roteiro do jogo.

Tudo previsível, tudo que pudesse ser absorvido. Todo esse ambiente que era para ser de desespero, o imortal Nelson Rodrigues escreveria que foi “uma orgia de ternura”.

O Furacão não tinha nenhuma obrigação de jogar bonito. A sua obrigação, dentro da proposta de Felipão, era jogar bem. E o fez de forma perfeita. Imperturbável, sem se influenciar pelo “inferno” da arquibancada, virtude só dos grandes, fechou espaços.

Marcando por zona ou marcando por homem, empurrou Gabigol, Arrascaeta, Everton Ribeiro e Cebolinha para os lados. Intransigente a esse jogo comandado por Fernandinho, limitou os recursos do Flamengo às bolas cruzadas para Thiago Heleno, Pedro Henrique e Nico Hernández fazerem do Maracanã um lugar de recreio.

Agora, dia 17 de agosto, o jogo será na Baixada onde coisas extraordinárias acontecem.

Khellven fez o melhor jogo da sua vida.

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