A aquisição de 90% das ações do Cruzeiro S/A está causando impacto muito mais pela identidade do comprador do que pelos valores envolvidos.  Muito mais pelo poder do nome de Ronaldo Fenômeno do que pelos US$ 70 milhões, ou R$ 400 milhões, que serão investidos, ainda, assim, a longo prazo. Analisado pela aparência e identificando Ronaldo como um simples investidor e não como ídolo, os números escritos frustram a expectativa.

O negócio lembra bem o mercado de risco da aquisição de empresas pré-falimentares que, recuperadas, são vendidas com um lucro portentoso para o investidor. Usando a metáfora da noiva criada por Mario Celso Petraglia ("O Athletico é a noiva que todos desejam"), Ronaldo encontrou no Cruzeiro uma noiva interessante, mas abandonada por falta de dote.

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Não obstante estar na 2ª Divisão Nacional, não se pode negar os valores do Cruzeiro: o nome, a marca, a história de títulos e, em especial, o poder popular capaz de levar 40 mil torcedores ao Mineirão para torcer contra a queda para a 3ª Divisão.

Embora Ronaldo tenha de assumir a dívida de US$ 200 milhões, em razão da solidariedade que prevê a lei, o negócio está longe de se firmar como referência dentro do que se espera da nova ordem do futebol brasileiro.

É preciso considerar a cultura imediatista do torcedor, o que contraria o plano de Ronaldo e Cruzeiro que é a longo prazo. Não se pode ignorar de que Real Valladolid do qual Ronaldo é o principal acionista, foi rebaixado para a 2ª Divisão espanhola, na qual é o 5º colocado em 2021.

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