Não existiu comentarista de futebol no rádio igual a Raul Mazza do Nascimento. Com raro poder de argumentação, a sua razão era sustentável até contra fatos. Atleticano histórico, era singular. Nas derrotas do Furacão, sempre argumentava como se o torcedor tivesse que ser consolado. Às vezes, quando a derrota era inevitável por boa diferença, um placar singelo (1x0), levava-o ao extremo, exclamando: “Foi uma bela derrota essa do Atlético!”

Busquei nesse argumento inusitado do meu ídolo, um consolo para a derrota do Furacão para a LDU, em Quito. Não era uma derrota previsível, embora fosse dentro da lógica, pois se jogava contra um time tradicional e contra os efeitos da altitude de Quito.

Mas ocorreu que o comando técnico disciplinou tanto o time para evitar desgaste, que o fez indolente. Criou a ideia de que a LDU era “dificílima” (expressão de Autuori), que se tornou medroso.

Esse péssimo tratamento emocional, não foi só. Tão equivocado foi que, a ausência de Thiago Heleno, alterou-se toda a ordem de jogo. Os laterais Abner e Marcinho se tornaram atacantes, escancarando ainda mais a fragilidade de uma defesa guardada por Richard, Zé Ivaldo e Nicolas. E, ao contrário do que se pregou, a LDU jogou sem velocidade, trocando bolas. Quer dizer, sem explorar o beneficio da altitude.

Se a LDU não resolveu o jogo no primeiro tempo com bola e todos os espaços do mundo, foi pela falta de seriedade de seus atacantes nas conclusões. E porque Bento fez duas defesas especiais.

Na etapa final, foi uma calamidade. É que os efeitos da altitude se projetaram sobre esse Furacão desorganizado e com medo. Quando a LDU acelerou o jogo no final, o seu gol foi inevitável: aos 41’, Reascos entrou no buraco da defesa em bagunça, e desviou de Bento, marcando o gol da vitória.

O Furacão estava tão mal em campo, sob todos os sentidos, que os cinco minutos de descontos eram um excesso que não precisava. Em tese, o Furacão deve ganhar na Baixada, porque é impossível jogar tão mal como jogou em Quito, contra um time que lhe é inferior. O 1 a 0, sem linguagem figurada, acabou sendo um bom negócio. Bento foi o melhor do Furacão.

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