Os direitos autorais do bicampeonato mundial de futebol, na Suécia (1958) e Chile (1962), a história bem contada coloca na conta de Garrincha. O momento mais comovente é descrito pelo escritor Ruy Castro, em sua obra definitiva “Estrela Solitária":

“A partida começou, e Garrincha driblou Kuznetsov. Em seguida, driblou Kuznetsov de novo. E de novo, e de novo, e de novo. Garrincha driblou outros defensores soviéticos também, mas naquele dia, driblou especialmente Kuznetsov. E apenas nos primeiros 38 segundos (sim, segundos), driblou Kuznetsov várias vezes. Eventualmente, cansou de driblar Kuznetsov e encheu o pé na trave de Yashin. Dezessete segundos depois, Pelé acertou o travessão. O Brasil ficou em cima da União Soviética até Didi achar o passe para Vavá marcar, aos três minutos. Os maiores três minutos da história do futebol”.

Para os ingleses ,que gostam de investigar o passado para escolher os melhores, em todos os tempos não se viu nada igual no futebol como aqueles três minutos do Brasil por obra de Garrincha.

Em um palco ao vivo, em um estúdio gravando, em um bar, ou em qualquer lugar, Elza brincava com o requebrado do corpo e com o uso da voz. Os ingleses da BBC se renderam e a eternizaram como a “Voz do século”. Como mulher, a história bem contada a colocará, sob vários títulos, uma das maiores do Brasil.

Garrincha foi maior.

Morreu a primeira vez quando as pernas tortas já estropiadas, não podiam mais fazer “João”. Morreu a segunda vez quando o coração já cansado de se alimentar do álcool, da miséria e da saudade, parou. E, agora, morreu a terceira vez, quando Elza Soares que lhe fez conhecer o amor, morreu.

Por ter que morrer três vezes, Garrincha foi maior. E, agora, não precisando mais morrer, irá descansar em paz.

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