Em um quiz especial, o UmDois Esportes provoca o torcedor: “Qual o nível da sua paixão por Athletico, Coritiba e Paraná?”. Até agora a média é de paixão extrema e eterna.

Nele me inspiro para provocar uma outra questão: “O torcedor terá o mesmo nível de compreensão para eventuais fracassos de Athletico, Coritiba e Paraná em razão dos reflexos da pandemia da Covid-19?".

De hoje até sexta, irei tratar de um clube de cada vez.  É que cada um tem as suas peculiaridades e, entre essas, estão os seus desconfortos.

Não pensem os atleticanos com essa paixão extrema, que o Athletico, por ter a maior e mais bem aparelhada estrutura física do futebol brasileiro, possui um caixa de dinheiro que nunca se esgota. Esgota e não são poucas as vezes.

A administração racional das despesas é que não deixou que a execução de sua prioridade central, que é a sua saúde financeira, tomasse um rumo temerário.

Para remunerar essa estrutura, sem um mecenas, sempre foi dependente do mercado de negócios de jogadores. As outras fontes de rendas, mesmo significantes, como a televisão, só têm significado influente porque entram na composição de um faturamento que a base maior são os negócios do mercado de jogadores. O clube limitado à essas fontes secundárias não consegue sustentar uma estrutura onerosa.

Athletico precisa focar na estrutura e deixa de lado a formação completa e a busca por atletas "semiprontos"

Pelas mais diversas circunstâncias que ambientaram 2020, o Athletico não pode concluir a formação e, em consequência, a promoção de jogadores do nível ou próximo ao nível de Pablo, Renan Lodi e Léo Pereira.

Bem por isso, nesse ano que passou, não fez nenhum grande negócio. E por estar sem o direito de registrar novos jogadores, não pode contratar aqueles que constituem o núcleo de sua política, os “semiprontos”, cujo exemplo é Bruno Guimarães.

É de se presumir (ou até concluir) que o Athletico está pagando a conta dessa sua estrutura, com as parcelas que já recebeu ou que está recebendo com o dinheiro dos negócios de 2019 e início de 2020.

Bissoli e Vitinho em aquecimento do Athletico
Sem poder investir muito em reforços, Athletico apressou a utilização de alguns garotos.| Albari Rosa/Foto Digital/UmDois Esportes

Se não bastasse o esgotamento temporário dessa fonte nuclear, há o fator mais relevante que obriga o clube a ser racional nos investimentos do futebol: o caso da dívida do Arena.  Amigável ou judicialmente será resolvida. No entanto, qualquer que seja a natureza da solução, exigirá o pagamento de valores substanciais e imediatos à decisão.

A partir dessas considerações, pergunto: o torcedor atleticano irá compreender uma perda do tetra do Estadual, uma eliminação precoce da Sul-Americana e da Copa do Brasil, e uma campanha insegura e perigosa no Brasileirão?

Apenas para auxiliar o torcedor, a vida ensina que a paixão por mais extrema que seja, exige compreensão.

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