Um dia desses, o presidente Mario Celso Petraglia fez aniversário, batendo nos 82 anos de idade. Nesse dia, deve ter sentido um vazio: agindo como um primata, ao levantar o dedo do meio para milhões de atleticanos, se autodesmoralizou, criando condições para a perda do orgulho próprio, valor indisponível na formação da personalidade do ser humano. E não se ouviu até hoje, nenhum pedido de desculpas de Petraglia.

Agora, o presidente Mario Celso Petraglia acusa sinais fortes de entre tantas coisas que perdeu aos 82 anos, está o orgulho que ostentava a supremacia de realizações criativas no futebol brasileiro.

Nunca a torcida do Furacão foi obrigada a ouvir tantas críticas e não ter razões de defesa, quando em um jogo de apelo público (Santos), o gramado sintético da Baixada, foi exibido como um pasto como se lá como um local para alimentar gado. E como não tinha como defender o Athletico, Petraglia não o amparou diante de tão profundas críticas.

A única defesa é a de que a mudança do gramado sintético está programada para o período da Copa do Mundo. Ainda que seja fato verdadeiro, não torna a conduta de Petragia menos grave, por ser irresponsável, no episódio atual.

Um estado humilhante, que explica-se pela negligência do homem, pelo abandono do bem. Sem proteção nos eventos artísticos em que empurram-se uma média de 10 mil pessoas para dentro de campo, cantando e pulando, as consequências previstas são inevitáveis: fibras achatadas, manchas, rasgos, descolamento e, em consequência, morrinho e buraco, que é a única coisa que não se admite em um gramado sintético.

Grama sintética da Arena da Baixada. (Foto: Jow Baker/Fotoarena/Icon Sport).

Por ainda ser conservador em muitas coisas, entendo de que o futebol joga-se em grama natural. No entanto, mais por compreensão técnica do que por amor, compreendi que a grama sintética era a única solução para o campo da Baixada.

Ocorre que ao ser canalizado o rio Água Verde, o lençol freático, o lado da Avenida Getúlio Vargas ficou muito alto. Isso gera uma umidade, em faixa de 20 metros, paralela à arquibancada da Getúlio, que não recebe sol. Esses fatores somados tornam-se inimigos mortais da grama nessa faixa.

Só que esse argumento técnico já não é mais causa de defesa. A negligência nos cuidados com o gramado sintetico foi tamanha, que torna-se causa perdida já no início de qualquer processo de discussão.

E tem mais, e o Athletico está ignorando.
Mais cedo ou mais tarde, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai ter que se submeter à maioria do Conselho Técnico e proibir os gramados de grama sintética. Se não fez para esse 2026, foi em razão de que a poderosa Leila Pereira, do Palmeiras, não deixou entrar em pauta.

Há métodos modernos para a implantação da grama natural quando é enclausurada pela cobertura ou úmida por algum motivo. O Santiago Bernabéu, do Real Madrid, implantou-os no novo estádio.

Se Petraglia tem R$ 30 milhões para gastar em um colombiano com problemas médicos acusados, porque não gasta-os em um gramado natural protegido pelos mais modernos métodos.

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