Para o torcedor que só se interessa pelo resultado de campo, a temporada no futebol brasileiro termina com a última partida do seu time. Deveria ir além: esperar o dia 30 de abril que é o termo final da lei para que os clubes deem publicidade ao balanço contábil. Com os números, é possível ter uma ideia mínima da conduta dos dirigentes.

Não leio, e aconselho ninguém a ler, os analistas especializados em balanço contábil dos clubes. Por em regra serem um parecer por ser pago, essas análises desprezam um elemento imprescindível no futebol: o resultado de campo, incluindo os títulos, a revelação de jogadores para negócios e a conduta do dirigente.

Apurados os resultados do balanço dos grandes clubes tendo como o ano base 2020, só Flamengo, Athletico Paranaense e Grêmio contabilizaram números saudáveis que indicam serem, em tese, autossustentáveis. Palmeiras e Atlético Mineiro vivem dentro de uma bolha que não fecha só em razão fôlego alheio, dos mecenas Crefisa e MRV.  De resto, inclusive o Corinthians, hoje e por um bom tempo vão viver de história.

O Flamengo, um fenômeno de massa, é a marca mais forte no Brasil. Pode ter uma espécie do mesmo valor, de um outro segmento comercial, mas não superior. O Grêmio sempre foi o maior exemplo de administração racional. Com a política de ganhar títulos ao natural, tendo como referência as categorias de base, sempre enfrenta as situações adversas sem traumas.

Sem dúvida (e, portanto, sem paixão), o Athletico Paranaense hoje é o maior exemplo para o futebol brasileiro. Aliás, o financiador do Galo (R$1 bilhão de dívida), Rubens Menin (MRV e Banco Inter), em entrevista ao GE afirmou “que se o seu clube tivesse que adotar um exemplo de administração financeira, seria a do Athletico Paranaense”.

Essa minha análise não despreza o fato de que há R$650 milhões sob a responsabilidade do Furacão esperando a quitação na Paraná Fomento.

Mas é exatamente por esse aspecto que a conduta de Mario Celso Petraglia é exemplar. Consciente dessa responsabilidade de dar uma solução para a dívida na qual moralmente são solidários Furacão, Estado e Município, retrai-se, não praticando excessos que, talvez, o sentimento de torcedor o incentive a fazer. O mês de abril de cada ano deveria ser uma época de calmaria para os atleticanos.

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