O poder de persuasão de Mario Celso Petraglia é indiscutível. Exercido para apaixonados que só pensam na vitória de campo, é irresistível. É capaz até de reduzir a “Retórica” de Aristóteles, em um livrinho acadêmico.

Com atenção, assisti aos 60 minutos de sua live. O que era apenas para ser uma explicação sobre a sua pretensão de transformar o Athletico em S/A, acabou sendo um local de manipulação da paixão atleticana para, no final, pedir o voto do sócio. Passou 50 minutos lembrando do que o Athletico era e, agora, do que o Athletico é.

No geral não falou nada mais do que já se sabia, do que todos concordam e já estão convencidos: (a) o futebol já não comporta mais o modelo associativo; (b) como associação, o Athletico já alcançou o limite que só permite ganhar torneios “mata-mata” e não permite passar de 7º lugar no Brasileirão; (c) e, que por isso, é preciso transformar o clube em Sociedade Anônima de Futebol para apanhar dinheiro de investidor.

Ao invés de explicar, justificou para pedir o voto. Explicações dependem de elementos objetivos; justificação pode ser feita com tese. Na live apareceu a sua ideia pessoal para a composição acionária: Athletico 50%, Investidor 50%. Como proteção ao Furacão, ficaria a Fundação Athletico sem direito a voto, mas com direito a veto.

A partir desses elementos, Petraglia teria provocado o juízo de convencimento absoluto e, portanto, definitivo, se fosse transparente sobre o que ele próprio entende como protetor do Athletico na sociedade: a Fundação.

Quem compõe essa Fundação Athletico? O que dispõem os seus estatutos? Petraglia não dissertar fatos notórios e conclusões óbvias, se abrisse a live, e simplesmente esclarecesse que a transformação só será possível após a conclusão técnica do Conselho Deliberativo com base em orientação de um braço do Itaú.

Desculpe, mas, tratando-se de Athletico, eu acredito é no Santos e no Nikão.

Participe da conversa!
0