Nos tempos só do papel era, ainda, razoável o jornalista expressar a sua opinião sobre um jogo jogado, mesmo que seja há horas.

Nesses tempos de comunicação imediata, a análise do fato sai já amarelada. E, ainda mais, tratando-se desse Athletico no Brasileirão, em que a análise de uma derrota nada mais é do que a cópia da derrota anterior, tentar analisar é enganar o leitor.

É o mesmo roteiro assustador de erros pela repetição de jogadores incapazes (Zé Ivaldo, Richard, Kayzer, Carlos Eduardo e Canesin) e os do comando de António Oliveira, tutelado por Paulo Autuori.

Quando começam as substituições, torna-se um ritual macabro para a torcida atleticana. Bem por isso, escrever sobre a derrota do Athletico, no Allianz Parque, para o Palmeiras (2x1), é enganar o leitor.

No Brasileirão já são cinco derrotas em sequência, o que fez o Furacão cair, a cada rodada, um lugar na tabela. A gravidade do fato está sendo mascarada pela classificação às semifinais da Sul-Americana, e pela vitória sobre o Santos na Copa do Brasil.

Por esses momentos casuísticos de vitória, como são todos pelo critério eliminatório, o presidente Mario Celso Petraglia está em uma zona de conforto, sem perceber que o Furacão não tem time e não tem técnico.

E, mais grave, comete os mesmos erros nas contratações. O caso de Pedro Rocha é simbólico desse estado: não jogou no Cruzeiro, não jogou no Flamengo, e estava inativo, por má qualidade, no Spartak de Moscou, que um time secundário na Europa. É uma repetição de Carlos Eduardo e de Geuvânio.

Mas, o fato mais grave é Petraglia descaracterizar a sua personalidade, e se transformar em refém de Paulo Autuori. Não tenho dúvida de que o presidente já está convencido de que é necessário trocar o treinador, e que não o faz porque Paulo Autuori irá pedir demissão.

Foi o que ocorreu quando demitiu Eduardo Baptista. A presença de Autuori o coloca numa zona de conforto em relação ao futebol, pois não tem mais ninguém em que confiar no CT do Caju.

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