A decapitação do Paraná provoca uma velha discussão do futebol brasileiro: quais são os limites da influência das torcidas organizadas?

Converso com o amigo Enio Fornea Junior, que com Mario Celso Petraglia e Ademir Adur, forma a Santíssima Trindade dos atleticanos revolucionários de 1995, e recebo dele a seguinte observação: uma das grandes virtudes de Petraglia foi a de impor limites a influência das torcidas organizadas no Athletico, não as levando para decisões do clube.

De fato, Petraglia fez uma demarcação, e dessa, os grupos não passam. Um ou outro mimo para atender os interesses da instituição, mas não passa daí. Embora o motivo não seja só o da preservação do clube, mas, também, do seu poder de senhor de tudo, não há dúvida de que essa posição intransigível de Mario Celso faz um bem para o Furacão.

O caso do Paraná, que está jogado na Terceira Divisão nacional, é o maior exemplo negativo da influência das torcidas organizadas motivada pela omissão daqueles que deveriam separar o joio do trigo.

Mas não podemos esquecer que era isso que estava ocorrendo com o Coritiba. Forjado na presidência pela organizada, Samir Namur fez uma administração passional, portanto, sem a responsabilidade de correção.

Por causa dele, o Coxa aumentou o passivo anterior, em razão dos encargos que o remuneram, e entregou o time com caminho certo para a Segunda Divisão. A administração de Samir, sempre influenciada pela organizada, irá subtrair mais de R$100 milhões que o Coritiba iria receber no Brasileirão de 2021.

E, se não fosse os coxas do Coritiba Ideal, chapa do presidente eleito Renato Follador, era bem capaz de Samir ser reeleito e a torcida continuar mandando.

É verdade: em muitas coisas, Petraglia está na frente de tudo e de todos.

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