Como se fosse um roteiro bíblico, assim estava escrito, assim se fez: o Paraná Clube foi rebaixado para a Série D do Brasileirão, a quarta divisão do futebol nacional. Há três fatores que podem ajudar a explicar o fato.

O primeiro e o mais relevante está nos motivos da sua origem. O Paraná não nasceu de um ideal como nasceram o Ferroviário, o Pinheiros, o Palestra e o Britânia, que lhe deram vida.

Nasceu por interesses: do desespero do Colorado, que já tinha perdido o rumo, e da falta de objetivo do Pinheiros, que tinha construído o complexo da Vila Olímpica, tinha 40 mil sócios pagantes, mas não tinha torcida. Britânia e Palestra, que já estavam semimortos, entregaram-se.

Só que essa reunião de interesses teve um grande equívoco: sendo o único objetivo o de ganhar títulos, ignorou-se que com o tempo, o ônus financeiro para a preservação funcional e legal do patrimônio seria muito maior do que o seu próprio valor real. Não havia nenhum projeto que criasse fontes de autossustentação do patrimônio.

Desde a fusão, os imóveis do Britânia e do Palestra, não recebendo uma destinação especifica, foram sugando o dinheiro do futebol. Com o tempo, o futebol transformado em negócio se tornou muito caro. Inchado por um patrimônio inexplorado, o Paraná entrou no vermelho e nunca mais saiu.

E, aí, surgiu o segundo fator. A venda do imóvel do Britânia por 30 moedas, e a perda em leilão do imóvel do Palestra, escancararam uma verdade que os paranistas não enfrentaram: a insolvência financeira e, a certeza, da sua repercussão direta e imediata no futebol.

E como as antigas lideranças não se preocuparam com as perdas patrimoniais, e nem com a política do clube, surgiu o terceiro fator: as torcidas organizadas passaram a exercer influência política, tornando-se maioria em assembleia de sócios, em conselhos e, em consequência, ganharam a capacidade de determinar quem deve ou não ser presidente, quando o técnico deve ser ou não demitido.

O último fio de esperança foi o industrial Carlos Werner. Em 2016, comandando o grupo “Paranistas do bem”, devolveu um pouco de vida ao clube.

Werner provou, de imediato, que o Paraná precisava apenas de uma administração responsável. A consequência foi imediata: em 2017, a Gralha provocou uma comoção popular em Curitiba pela volta ao Brasileirão. O episódio de quarenta mil paranistas batendo o recorde de público da época da Baixada, na vitória sobre o Internacional (1x0), é histórico.

Mas, daí, quando Werner quis demitir Pastana por “tenebrosas transações”, Leonardo ficou com Pastana. O ex-presidente fugitivo, além de traidor, foi burro.

É simples, então, entender as razões pelas quais o Paraná foi da Primeira para a Quarta Divisão em queda livre.

A única vítima dessa história é a torcida tricolor.

Qual o futuro do Paraná?

Na vida, às vezes, deveríamos seguir o conselho do imortal Raul Seixas: voltar a ser criança pra poder dançar ciranda.

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