Pelas lições da Grécia trágica, a esperança é um dos piores males porque nos tornaria mais vítimas do destino. Escondida na caixa de Pandora é guardada nos castigar como o último dos “males”.

Para o antropólogo Roberto da Matta, a esperança é uma questão de índole. Dela alguns são filhos da esperança, outros filhos do desespero.

Na Baixada, o Athletico joga contra o Atlético-MG, campeão brasileiro, a partida final da Copa do Brasil. No jogo do Mineirão, perdeu por 4 a 0, fazendo a sua pior partida desse século. O regulamento lhe dá dois caminhos: ganhar com uma diferença maior de quatro gols para ser campeão; ou, então, ganhar com uma diferença de quatro gols para decidir nos pênaltis.

E, se não fosse o bastante, há um fato fundamental: o Galo é um dos melhores times que se formou nesses 21 anos de século no futebol brasileiro. É um complexo de talentos em campo manejado por Cuca.

Por mais pessimismo que exista, há sempre um sentimento positivo na alma do torcedor. Como escrevia Nelson Rodrigues, quando não havia mais esperança para o Fluminense: “o homem sem ilusão é um homem morto”. Então, pergunto: dentro desse quadro de fatos, os atleticanos que pensam que ainda há vida, são filhos da esperança ou filhos do desespero? 

Por ter aprendido que em se tratando do Furacão jogando na Baixada, tudo pode acontecer, quero saltar para o lado dos filhos da esperança.

Mas, daí, pergunto: é possível imaginar um treinador como Alberto Valentim orientar um time que precisa reverter um placar de 4 a 0 contra o melhor time do Brasil? É impossível porque nem Alberto Valentim é capaz e nem os jogadores nele acreditam.

Talvez eu me bandeie para os filhos do desespero. É que esses buscam a esperança no acaso. E, como esse, às vezes, aparece na Baixada, pode acontecer alguma coisa.

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