A vitória no futebol é conciliadora, pacifica revoltas e acalma o sentimento de perda. Mas, com efeito temporário, é ignorada na primeira derrota. É a lei de arquibancada, legislada pela paixão, um dos instrumentos mais complexos da condição humana. É secular, não há como mudar.

Bem por isso, na derrota pode não existir consolo, mas às vezes, pode existir resignação, compreensão e até renúncia aos erros.

A derrota do Athletico para o Goiás provoca essa exceção. Deve ser compreendida a partir de um fato que ainda existe, mas que em razão da influência de Felipão estava esquecido: Matheus Felipe, Erick, Matheus Fernandes, Cuello, Canobbio, Orejuela e Cirino são jogadores de poucos recursos técnicos. 

Por um comando místico como é o de Felipão, eles se superavam. Quando essa influência, por um motivo ou outro momento não se projeta, eles voltam à normalidade.

Foi o que ocorreu em Goiânia. As falhas individuais de Matheus Felipe nas bolas cruzadas que resultaram nos gols goianos, a inércia e a incompletude de Erick, Fernandes e Bueno no meio e de Cuello, o pior de todos, no ataque, tornariam vulnerável qualquer esquema tático.

Sem Terans, Vitor Roque isolado brigava sozinho contra todos e consigo mesmo. Embora menino, esgota-se. Tanto é verdade que com Hugo Moura e David Terans, o segundo tempo do Furacão foi razoável. Mas, reverter 2 a 0 no futebol atual é uma exceção para poucos.

Na derrota não há consolo. Mas, compreendida, provoca lições. Para a torcida, a de que o Furacão não é o “Barcelona de Guardiola”. Para Felipão, a de que todos sabem o que ele quer, mas nem todos sabem fazer o que ele quer por falta de condições técnicas.

Um dia esse Athletico teria que perder. 

A partir de agora não terá a carga da invencibilidade que, às vezes, torna-se pesada para alguns. Na vida é bom descarregar algumas obrigações.

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