Pela Copa do Brasil, na Arena da Baixada: Athletico 2x2 Flamengo.

Se fosse um jogo no meu tempo de inocência, sairia da Baixada como um personagem de Nelson Rodrigues: sentaria no meio-fio da Getúlio Vargas e choraria “lágrimas de esguicho”.  Nesses tempos, recebendo o consolo materno, acreditava que o erro, inclusive do árbitro, estava dentro dos direitos do ser humano.

Nos tempos de hoje as coisas mudaram.

O erro humano continua existente, mas, às escondidas. Sem precisar se expor, a ação humana, acionando uma máquina, traça linhas para frente ou para trás para estabelecer a linha de impedimento. Se necessário, vê o que o árbitro de campo também viu, mas o induz ao erro. E, assim, não há mais consolo. E o meio-fio que nós tínhamos está quebrado. E as “lágrimas de esquiço”, por essas injustiças, estão esgotadas.

Desde o jogo de Erechim, Grêmio 3x3 Athletico, quando o Furacão perdeu o bicampeonato brasileiro, não sentia tanta mágoa por um resultado como senti por esse empate com o Flamengo. Não pelo resultado em si, porque foi um jogo jogado que há tempo não se jogava na Baixada. A mágoa é pela interferência tendenciosa da arbitragem eletrônica, que usou um programa pelo qual iria impedir de o Athletico ganhar.

O pênalti de Fasson sobre Rodrigo Caio, embora pela visão humana do árbitro não fosse, a marcação foi correta dentro dos critérios que punem o uso do braço dentro da área.

Mas, o primeiro gol do Flamengo, o de Thiago Maia, foi uma dessas aberrações próprias das máquinas que trabalham por conveniência. Maia estava à frente da zaga quando a bola chutada por Gabriel desviou em Arão iniciando um novo lance. A mesma jogada, imaginando uma linha de passes na área do Flamengo, e tendo como consequência um gol, a linha de impedimento avançaria para pegar um jogador do Furacão impedido.

O Athletico, por não ser fácil explicar, acabou sendo brilhante. Vencida a submissão inicial ao Flamengo, mesmo sofrendo o gol ilegal de Thiago Maia, equilibrou.

Bem por isso, a bola de escanteio cobrada por Terans encontrou Pedro Henrique para cabecear e empatar. Jogando surpreendentemente bem ordenado, a partir daí o Furacão “comeu” o Flamengo, submetendo-o ao seu domínio criado pela excelência de jogo de Léo Cittadini e Erick no meio. A consequência desse domínio foi o gol de Kayzer, que desviou de cabeça uma bola de falta cobrada por Abner.

Time milionário, quando entra na roda, também fica desesperado. E, assim, o Flamengo passou a jogar bolas na área. Na última, o jovem Fasson abriu os braços e encostou em Rodrigo Caio.  O árbitro, induzido pelo VAR para conferir, marcou o pênalti que Pedro bateu e empatou no último minuto.

O VAR, vestido de rubro-negro da Gávea, impediu que o Athletico ganhasse o jogo que merecia. E não foi por coincidência que isso aconteceu dois dias depois o diretor Marcos Braz, do Flamengo, visitou a CBF para pedir providências. A CBF deve ter levado o programa de computador que Braz levou para ser usado na Baixada.

Léo Cittadini e Nico Fernandes, com cara e bola de colombiano, foram os melhores.

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