Por existir só desencontros na vida de um goleiro, até as figuras de linguagem são contra ela. O goleiro é o único que pode ser individualizado na acusação por uma derrota. Para todos os outros, sempre há uma concorrência de culpa por um erro ser consequência do outro.

“O Coritiba perdeu por causa de Muralha”, devem ter pensado os coxas após a derrota para o Operário, em Ponta Grossa, por 2 a 1.

Concordo: Muralha teve uma falha primária, como se tornou a falha para se repor a bola. Passou a ser princípio básico a reposição depois que os chutões para frente passaram a ser censurados no futebol de passes e a marcação adversária avançou.

Mas, a questão já não é a falha do goleiro como consequência da derrota coxa. Dentro dos limites humanos, embora primária, poderia ser absorvida como natural.

A questão que se torna um grave problema é a de que Muralha, como seria qualquer outro goleiro sem prestígio, enfrenta um terrível adversário: um fantasma chamado Wilson.  

Wilson foi embora, mas, pelas fortes lembranças que criou na mente dos coxas continua, ainda, no Couto Pereira. 

Não vejo em Muralha um goleiro capaz de acalmar esse fantasma. A posição reclama uma conduta natural e fria, que, às vezes, é tornada excepcionalmente comum. Para isso é que, na composição dos atributos, a personalidade do goleiro seja exteriorizada para a torcida, como era a de Wilson.

Se a reposição de Wilson por Muralha se tornou impossível, agora a solução pode se tornar mais fácil.  O goleiro que se presume está por vir, não terá Muralha como sombra.

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