Negro, bem alto e de corpo bem fino, chega até a ser uma figura exótica jogando: eis Matheus Babi, pelo qual o Athletico, em busca de um goleador, aposta R$ 8 milhões para trazê-lo.

Matheus por ser muito tamanho e pouco corpo para trombar, ganhou qualidade com a bola; sem velocidade, mas de passadas longas, dizem, tem visão de jogo. Então, enquadra-se no modelo que os teóricos modernistas conceituam como “falso 9”.

O risco é muito mais técnico do que financeiro. Técnico, porque se pretende tê-lo para fazer gols de imediato. Embora não afirme, a direção técnica entende que Kayser é estranho ao modelo de jogo que se adota. O risco financeiro é relativo, porque, ainda que não seja o atacante que Autuori prega, pode no mínimo ser negociado com a recuperação do capital investido.

Faço uma visita ao passado recente para concluir que o último atacante de talento revelado no CT do Caju foi Dagoberto, em 2001. Foram revelados goleiros excepcionais como Guilherme, Neto, Santos e, agora, Bento; zagueiro Léo Pereira, laterais Lodi e, agora, Abner em final de formação, e os meias Kleberson, Fernandinho e Jadson.

A carência de revelações do “nº 9” não é inerente só do Furacão, mas de todo o futebol. É que a partir da implementação da escola holandesa no Barcelona, que formou as idéias de Guardiola, o centroavante clássico passou a ser desprezado. Nenhum esquema de jogo racional é sacrificado em razão de um ponto fixo na área adversária. O antigo “matador” passou a ser a última alternativa, quando a última esperança é o desespero.

Chegando, terá que se ter paciência com Matheus Babi. É que o risco técnico aumenta porque o Athletico, nem um time formado ainda tem.

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