O fato: o Athletico contratou o lateral-direito Marcinho, que dirigindo alcoolizado, imprimindo excesso de velocidade, atropelou um casal, levando-o a óbito, conforme inquérito policial. Mal orientado, abandonou as vítimas, praticando omissão de socorro. Daí, melhor orientado, voluntariamente apresentou-se à polícia, confessou os crimes (homicídio e omissão de socorro), e responde a processo criminal por homicídio culposo.

Perguntam-me os leitores: o Furacão errou ao contratar um homicida?

O mundo está desabando sobre Mario Celso Petraglia e Paulo Autuori por terem contratado Marcinho. Um dia desses quase que se apagou um dos mais fortes fachos de luz do Direito brasileiro com a morte do curitibano René Ariel Dotti. Era tão iluminado, que mesmo indo embora, continua evocando uma inspirada coleção de juízos, lições e lembranças.

O caso de Marcinho me lembra as lições críticas e severas do professo René Dotti à teoria do “criminoso nato”, desenvolvida por Cesare Lombroso. Para o médico italiano, o delinquente era um doente porque nascia assim. Para Dotti (vejo-o na sala da Direito Federal), a teoria segregava o homicida, inclusive, antes mesmo de cometer um delito.

Já há tempos, o Direito penal do Brasil está deixando de se limitar ao seu caráter punitivo, adotando, também, o caráter de ressocialização.

Edmundo, o Animal, embriagado, em velocidade excessiva, e na contramão de direção, matou três pessoas em 1995.  Em 1998, jogou a Copa da França, mesmo já condenado em 1ª instância. Hoje é um comentarista disputado por órgãos de imprensa. Não se tem notícia que tenha reincidido.

No caso específico de Marcinho, as criticas são preconceituosas como é tudo que é baseado no “politicamente correto”. Petraglia e Autuori podem ser censurados na contratação de Marcinho sob o aspecto técnico.  Já não arrisco a criticá-los sob esse aspecto, porque a sua atuação no Botafogo antes do acidente, era brilhante. Mas não podem ser criticados por terem contratado o Marcinho, que é réu no processo por crime culposo.

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