O jogador no futebol brasileiro quando se propõe a jogar a Segunda Divisão, precisa ter a consciência de um fato: todos os clubes, se não têm problema financeiro por ocasião da assinatura do contrato de trabalho, irão tê-lo na sequência do campeonato. É inevitável.

Em regra, não é culpa do clube e dos dirigentes, mas, do sistema. Jogar uma Segundona, em especial, com a obrigação de classificação por força da história, e, mais ainda, em época de pandemia, é entrar na selva sem rumo.

Bem por isso, jogar a Segundona no futebol brasileiro exige transigência e compreensão dos jogadores, o que não implica em renúncia de direitos, inclusive, de prazo. Mas, se o jogador não tiver a capacidade de compreender, só lhe resta uma alternativa: não assine o contrato.

Influenciados, outra vez, pelo volante William Farias, os jogadores do Coritiba não concentraram para o importante jogo contra o encardido CRB. E dizem que o farão o mesmo para o jogo contra o Náutico, que irá valer a liderança. Motivo: atraso da remuneração a título de direitos de imagem.

Na ocasião anterior, defendendo-os, entendi que era uma forma respeitosa de mandar a mensagem de desagrado à diretoria. Embora pareça igual, a situação, agora, é diferente.

Jogadores tentam fazer pressão, um péssimo hábito

Houve desprezo ao fato de que os dirigentes, com garantias pessoais, estão finalizando uma operação financeira para prestar as obrigações do clube. Então, deixou de ser uma mensagem respeitosa de desagrado para ganhar forma de pressão. Pressão inconveniente, porque não resolve a questão de imediato. E essa espécie de pressão, que constrange o clube, tira a essência do direito de protestar por ter o vício do abuso.

No filme “A Dama de Ferro”, sobre a vida de Margareth Thatcher, quando a Primeira Ministra trata da suspensão da seleção e clubes ingleses de todas as competições, em razão da violência e mortes praticadas pelos hooligans, ela ensina: “Cuidado com os seus pensamentos, antes que se tornem palavras, cuidado com as suas ações, antes que se tornem hábitos”.

Os jogadores coxas estão adquirindo um péssimo hábito.

Eu, também, já tive e a vida me corrigiu.

Às vezes, tomamos atitudes em busca de soluções imediatas que dependem de vários fatores. Não conseguindo, precisando tomar uma atitude enérgica e definitiva, falta-nos coragem.

Pergunto: os jogadores que hoje têm coragem de não concentrar, teriam coragem de não jogar, tratando-se de Coritiba?

Conhecendo a alma do jogador, presumo que desta vez, arrependeram-se.

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