Em Salvador, Bahia 2 x 3 Atlético-MG.

Já na etapa final, estava 2 a 0 para o Bahia, quando o Galo resolveu jogar. Jogando, sempre é o melhor: Hulk (pênalti) e o excelente Keno, com dois gols, ofereceram o corolário justo para um título que há 50 anos não ganhava.

Não sou daqueles que analisa o óbvio e esquece do essencial. O óbvio seria afirmar a razão do justo para o título do Galo: os números. A diferença de nove pontos do Flamengo após o jogo da Fonte Nova, explica-se o justo.

O essencial é perguntar: qual o legado que esse Galo campeão deixa para o futebol brasileiro?

O nosso campeão vive em dois mundos.

No mundo real, é um devedor contumaz e acumula um passivo próximo de R$ 1 bilhão. No mundo paralelo, vive de mecenas apaixonados que despejaram milhões de dólares para ter esse momento histórico depois de 50 anos.

Um time de brasileiros, de equatoriano (Alan Franco), de colombiano (Borrero), de paraguaio (Júnior Alonso), de venezuelano (Savarino), de argentinos (Zaracho e Nacho Fernández) e de chileno (Vargas), ao custo de R$ 200 milhões, sem considerar luvas e salários.

É desse mundo paralelo, sem um projeto racional e sólido, que surgiu o novo campeão do Brasil. É como foi o Palmeiras da Parmalat e o Corinthians da MSI. Não é um campeão puro como foi o Flamengo bicampeão (2019 e 2020), forjado no dinheiro da sua grandeza popular.

Um campeão justo e pouco exemplar.

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