Ser torcedor do Athletico não é fácil. Quase sempre, assistir o seu jogo, parece que se entra num teatro para assistir um drama de final improvável. Ser torcedor do Athletico precisa ter inúmeras virtudes: emoção, resignação, paciência, transigência e conformismo. É próprio de um clube cuja essência é a paixão em estado puro.

Vejam só esse jogo em Fortaleza, no Castelão, contra o razoável Ceará. No final do 1º tempo, e já vencido um bom espaço da etapa final, o seu torcedor resignado com o péssimo jogo que fazia, já deveria estar em busca de conforto para um resultado que não fosse a vitória.

Era, assim, porque o seu time indolente para criar e atacar, não fazia outra coisa, a não ser se defender.  Thiago Heleno e Pedro Henrique faziam das tripas, coração, para proteger o gol de Santos. Até 35’ do segundo tempo, o Ceará dominava, e com Vina, Lima e Léo Chú, era quem criava chances contra Santos.

Quando o jogo parecia ter um caminho desagradável para o Furacão, eis que o espírito de Kléber, o “Incendiário” (2001), dominou Carlos Eduardo. Aos 40’, ganhou uma bola na intermediária e foi à grande área finalizar o goleiro Richard.

E, logo depois, aos 47’, fez um daqueles gols cuja imagem grava na memória e nunca se apaga. Recebendo a bola de um lance criado por Nikão e que passou por Bissoli, usou o calcanhar para driblar a si próprio, o zagueiro e, depois, ficando de frente para o gol, submeteu Richard ao seu perfeito capricho.

Kléber era assim, quando estava resignado com o nada, fazia gols extraordinários e inesperados. Às vezes, o belo é tão belo, como foi esse gol de Carlos Eduardo, que se torna indescritível. Furacão 2 a 0.

Às vezes, torcer para o Furacão é um drama. Mas, “drama é a vida sem as partes chatas”, dizia Alfred Hitchcock.

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