Amigo Juarez, meu presidente,

Os grandes destinos são imprevisíveis, eu aprendi lendo o notável francês André Maurois. Quem poderia adivinhar que eu, de repente, tive que ver de cima essa nossa conquista? Por você Juarez, mando essa mensagem para saudar todos os coxas.

Onde estou acabo de ver o nosso Coritiba voltar ao Brasileirão. Abraçados, estamos chorando: o meu pai Renatinho, o Tico Fontoura, o Evangelino, o Sérgio Prosdócimo, o doutor Balão e eu.

Eu sei que pode existir um pouco de excesso nessa felicidade. Afinal, voltar ao Brasileirão não é um fato extraordinário para quem já foi campeão do Brasil. Mas todo o excesso em um sentimento tem uma explicação. À alegria pela volta do Coritiba está o conforto de termos cumpridos a obrigação que assumimos. Quando fomos eleitos, absorvemos toda a tristeza e a irresignação que haviam dominado e maltratavam a nossa torcida. E, por isso, não podíamos fracassar, embora o futebol, às vezes, seja incompreensível com as boas intenções.

Quando eu estava aí e disse que “administrar o Coritiba era mais fácil do que administrar uma padaria”, não pretendi fazer uma metáfora com sentimentos maltratados.

É que eu tinha plena consciência da grandeza do meu clube. Tinha consciência da capacidade, da humildade e do espirito de submissão ao sacrifício por amor ao Coritiba de você presidente Juarez, do Stenger, Klamas, do Souza, do Mauricio Gulin, do Vilson, do Marcelo Almeida, e de todos que, direta ou indiretamente, cumpriram com altruísmo essa missão.

Provamos que o futebol, embora exija um alto grau de profissionalismo, ainda, é dependente do idealismo. É que o idealismo puro que é o desinteressado de pessoa capaz, resiste aos atalhos, intervém nos desvios, oferecendo soluções que os técnicos, às vezes, por algum motivo não conseguem dar.

No entanto, presidente Juarez, mais importante que todos nós dirigentes, ou os coritibanos que anonimamente

auxiliaram na busca de soluções, foi a nossa torcida. Como se tivesse praticado um ato de fé quando nos elegeu, nem mesmo nos momentos de dúvidas, deixou de ser solidária para acreditar. Quanto voltou a lotar o Couto como domingo, devolveu a vida plena ao Coritiba, a sua essência, e definitivamente a sua grandeza. A torcida coxa provou que para o Coritiba sempre há esperança.

Eu sei que vocês estão aí reunidos, festejando a nossa volta. Por aqui, já começa a chegar a turma do meu tempo de jogador: o Kruger, o Jairo, o Célio Maciel, o Tião Abatiá, o Pescuma, o Dirceu....

Presidente Juarez, leve o meu abraço a todos os coxas.

Obrigado

Renato Follador

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Em tempo: a forma dessa coluna é inspirada na criação imortal do jornalista e escritor Elio Gaspari, cuja obra sobre a ditadura de 64 estou relendo.

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