Queridos coxas,

Escrevo para vocês que são das novas gerações. Acredito que já sabem da minha história por seus pais. Se não, procurem o livro do Carneiro Neto, “O Campeoníssimo”, e saberão.

No meu tempo de presidente, o Coritiba construiu o Couto Pereira, ganhou quase todos os títulos estaduais, foi campeão nacional do Torneio do Povo, foi Fita Azul por voltar invicto do exterior e, ainda, foi campeão do Brasil, em 1985.

Como vocês, aqui, em cima, os coxas estão mais do que tristes, apreensivos pelo futuro. Às vezes temos que passar longe da confraria de atleticanos. Comandada pelo amigo Jofre Cabral, ficam rindo de nós, vestindo faixas de títulos, até continental.

Na sede dessa confraria, o Faridinho, um fanático atleticano, colocou uma foto da Arena da Baixada com cobertura móvel.

Mas, esqueçam, o nosso problema não é o Athletico. O nosso problema somos nós mesmos, os coxas. Vejam só se não tenho razão: não há explicação para que o menino Samir e o meu amigo Vialle se candidatem só por uma questão de orgulho próprio.

O Samir conheci de calça curta, quando ia ao Couto com o seu pai, o meu querido amigo Namur. O Vialle é amigo antigo que, aliás, pensei que já estava aposentado.

Dizem que irão fazer uma administração com "os pés no chão". Pois, está aí o problema: o que o Coritiba não pode ter é uma administração com "os pés no chão".

As últimas foram assim: "com os pés no chão", gastaram-se milhões, torraram-se milhões, e hoje o clube com R$ 300 milhões de dívidas, está voltando para a Segunda Divisão. Os pés do nosso Coritiba já estão engolidos por um buraco que parece já não ter fim.  É preciso tirá-los de lá.

O que o nosso Coritiba precisa é de uma administração de choque. Esse grupo de Follador, Juarez Moraes e Silva, Marcelo Almeida, Glenn Stenger e Osiris Klamas está caindo do céu e não podemos perdê-lo. Há dois anos, estão projetando a administração com todos os cenários possíveis, inclusive na Segundona. Não é nada no improviso, na emoção ou por populismo.

Eu mesmo, na última administração, senti que era o momento de sair e entreguei o clube para Malucelli, Prosdócimo e Mauad. Fiz o certo, pois o Coritiba voltou para o Brasileiro, acertou com a Globo e retomou o rumo, só o perdendo, outra vez, em razão dessa política maldosa.

Follador, Juarez, Marcelo, Glenn e Osiris têm novas ideias, novas propostas, que irão combater a médio prazo esse estado degradante do Coritiba. Arrisco a dizer, sócios: é a tábua de salvação do nosso Glorioso. Se vocês a quebrarem, não sei se terá outra.

Do seu presidente, Evangelino.

Em tempo: a forma dessa coluna é inspirada no imortal jornalista Elio Gaspari, cujo painel sobre a Ditatura Militar estou lendo pela terceira vez.

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