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Opinião

O complexo caso de racismo contra Gerson

Gerson reclamou de ter sido vítima de racismo por parte de Ramirez, do Bahia.
Gerson reclamou de ter sido vítima de racismo por parte de Ramirez, do Bahia.| Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
  • PorAugusto Mafuz
  • 22/12/2020 17:15

A imagem do jogo que serve de referência para conclusões de que ocorreu injúria racial é absolutamente clara: Ramirez, do Bahia, quando passa por Gerson, não altera o ritmo de sua corrida e sequer olha para o craque do Flamengo. Passa e continua correndo. Daí, segue-se a reação imediata e enérgica de Gerson junto ao arbitro, acusando ser vítima de injúria racial.

Em sua manifestação, Ramirez, bem em mais do que se limitar a negar a suposta ofensa, com uma narrativa que flui natural, enquadra fatos sequenciais, adotando uma linha afirmativa sem lacunas, para concluir que não praticou a ofensa.

Já escrevi que na injúria racial em geral, mas, contra o negro, em especial, a exteriorização do sentimento do ofendido deve ser recepcionada como verdade. Sendo um crime por ofensa moral, o sujeito ofendido é que cria sua própria lei, como ensina o filósofo alemão Immanuel Kant, em sua “Crítica da Razão Pura”.

Ocorre que, no caso específico de Gerson, essa presunção de que ocorreu a ofensa não pode ser afirmada como fato supremo. Ao contrário de outros casos de injúria racial no futebol, em que o ofensor não negou a ofensa, aqui há um conflito sem meio termo, entre a afirmação da injúria e o da sua negativa.

A conclusão quase unânime da mídia, que ocorreu injúria racial tendo como referência apenas a reação de Gerson, é precipitada. No caso específico, há que se considerar, obrigatoriamente, outras circunstâncias. A negativa fundamentada de Ramirez deve ser considerada por que nessa espécie de ilícito, quando há dúvida, a intenção, também,  entra como um elemento de avaliação; a tensão que ambientou esse jogo entre Flamengo 4x3 Bahia, em especial, a disputa no meio entre Gerson e Ramirez;  a ausência de testemunhas inequívocas do fato, prova pela absoluta e, por isso, surpreendente falta de solidariedade pública dos jogadores do Flamengo a Gerson.

De tudo que li e ouvi,  me sobrou só a posição do excepcional Marcelo Barreto, do Redação Sportv, que bem resumida, é a de ser possível que se falou uma coisa (Ramirez) e se ouviu e sentiu outra (Gerson).  E Ramirez, fato a ser considerado, é colombiano e ainda não aprendeu português.

O caso Gerson não é tão simples como o jornalismo populista vem concluindo.

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