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Opinião

Brasileirão no Tapetão: A batalha do Vasco e o interesse do Flamengo

O VAR simplesmente não funcionou em São Januário
O VAR simplesmente não funcionou em São Januário| Foto: Estadão Conteúdo
  • PorAugusto Mafuz
  • 17/02/2021 14:29

Prometido foi, cumprido está. O Vasco quer anular no Tapetão da CBF o jogo que perdeu para o Internacional(2x0), o que o manteve na zona de rebaixamento. Motivo: a falha do VAR.

É uma aventura jurídica, uma litigância de má-fé. O seu pedido vai contra as normas da FIFA, da CBF, contra a doutrina sobre erro de direito e de fato. Mais grave: o seu interesse pode vir a ser, também, o interesse do Flamengo em razão da disputa do título com o Internacional.

Dizem que não vai dar nada. Em jogo de interesses de Vasco e do Flamengo, há controvérsias. É que no Tribunal da CBF não se pratica o Direito Esportivo, mas a Justiça Esportiva, que é dirigida por interesses mais fortes, em especial, se forem cariocas.

Athletico e Coritiba já foram derrotados no tapetão

Em 1989, o Coritiba só aceitaria jogar em Juiz de Fora contra o Santos, se Sport x Vasco fosse no mesmo horário. A CBF não concordou e, então, o Coxa protegido por uma liminar do próprio tribunal da entidade, não foi jogar. No dia seguinte, o mesmo Tribunal que havia concedido a ordem, revogou-a.  Ricardo Teixeira, presidente da CBF, sob o disfarce de moralizador, rebaixou o Coritiba para a Segunda divisão.

Em 1997, Ricardo Teixeira, presidente da CBF pediu para que Mário Celso Petraglia fizesse uma doação financeira para a campanha de Ivens Mendes, diretor de árbitro, que era candidato à Deputado Federal por Minas Gerais. Um grampo gravou um telefonema de Ives Mendes a Petraglia pedindo o dinheiro. E aí, veio a célebre frase do senhor atleticano: “Já mandei depositar. Fale com a Marli”. O falecido repórter Marcelo Rezende, na época da Globo, denunciou o fato.

Carneiro Neto e eu assistimos o Jornal Nacional com Petraglia, na sede do Athletico. Otimista e com fome, Carneiro disse: “Isso não vai dar em nada. Em uma semana acaba. Vamos comer costela no Ripa & Costela”.

Deu em tudo: o Furacão não só foi rebaixado para a Segundona, como teve todas as suas atividades esportivas suspensas. E Petraglia, banido do futebol. Após o julgamento, no restaurante Mariu’s, o atleticano Onaireves Moura, presidente da FPF, não gostando de uma ironia de Kleber Leite, presidente do Flamengo, deu-lhe uma boa surra.

Só mesmo a reação da torcida atleticana (é celebre a multidão de 10 mil atleticanos comandados pelo goleiro Ricardo Pinto, na Praça do Athletico) e um movimento político em Brasilia para salvar o Furacão.   Mais tarde, a pena de Petraglia foi revisada, devolvendo-se os seus direitos de cartola. Todo esse sacrifício do Athletico foi feito para salvar o Fluminense, que fora rebaixado para a Segunda Divisão.

Os clubes cariocas no Tribunal

Em 2013, o Fluminense estava rebaixado. Daí, por iniciativa própria, a CBF acusou que a Portuguesa de Desportos escalou o jogador Heverton, que estaria suspenso. Não estava, mas, o Tribunal para salvar o Fluminense, ao “arrepio da lei”, rebaixou a Lusa.

Em 2020, o Botafogo já foi rebaixado e o Vasco está a caminho. O simples ajuizamento da ação já torna controvertido não só o seu rebaixamento, como pode tornar duvidosa a conquista do título pelo Inter no domingo. É lógico: se o jogo entre Vasco x Inter for declarado nulo, o time gaúcho não pode ser consagrado campeão. Quer dizer: há interesses do Flamengo, também.

Na moita, o Coritiba. Como escrevi lá atrás, já existe um movimento para cancelar os rebaixamentos por causa da pandemia. Dizem que a ação do Vasco não vai dar em nada. Já deu em alguma coisa. Antes de julgá-la não se pode declarar o campeão e o último rebaixado.

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