Não me arrependo de coisas que fiz na vida. Arrependo-me das coisas que não fiz. Entre elas foi a de não conviver mais intensamente com o saudoso Evangelino da Costa Neves, o maior presidente da história do Coritiba. É que eu levava muito a sério essa história de Atletiba.

Mas ficaram boas lembranças, boas histórias.

Esse pênalti para o Athletico, que derrotou os coxas no último segundo do Atletiba, me fez lembrar de uma historinha. Não sei bem o ano, inicio da década de setenta, mas sei bem do fato.

O Athletico havia perdido para o Coxa, 1 a 0, gol de pênalti no último minuto. Triste, com meu gravador “Gelato”, fui trabalhar. Na esquina da Marechal Floriano com a Rua XV de Novembro, tinha a banca do engraxate Leleco.

Lá estava Evangelino. Sorrindo, me chamou: “Vem cá meu filho. Não fique triste. Ganhamos, mas não sei como”. Ainda abalado com mais uma derrota do Furacão, respondi: “Como não sabe? Com pênalti que não existiu e no último minuto”.

Evangelino era terno, carinhoso. Abraçando-me completou: “Meu querido, eu estou sofrendo, também. Você não sabe quanto custa um pênalti!”.

Às vezes, um pênalti custa toda a sorte do mundo.

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