Já escrevi mil vezes que a única coisa que, ainda, provoca um pouco de sentimento pelo Estadual é o Atletiba. E esse fascínio não é pelas coisas presentes, mas, pelas coisas passadas.

Estava relendo (o bom não é ler, o bom é reler, ensinava Nelson Rodrigues) a obra “Atletiba – a paixão das multidões”, de Carneiro Neto e Vinicius Coelho, e fiquei a imaginar a sua reedição atualizada.

Tem algum Atletiba inesquecível na história recente?

Qual o Atletiba desse passado recente que tem história para ocupar uma página? Com certeza, o da vitória do Furacão por 2 a 1, em 2020, que resultou na conquista do tricampeonato estadual. De resto, os anteriores a esse, a história se esgota em duas ou três linhas, pois, não sobrevive a uma madrugada de sono bem dormido.

E deve se atribuir ao Coritiba o motivo desse desalento: imaginou que o despertar do Athletico e dos atleticanos, em 1995, era motivado por uma paixão recolhida e que eventualmente estava sendo exposta pela vergonha dos 5 a 1 no histórico Atletiba. Sua gente continuava achando que o poder coxa era invulnerável, o que tornaria a sua supremacia inalcançável.

Agora, sabe que a paixão atleticana não só não foi recolhida, como continua vivendo intensamente. O resultado é que o Athletico se tornou um Coritiba do passado dez vezes maior. Esses fatos ambientados em La Fontaine, parece a fábula em versão esportiva da Cigarra e a Formiga.

Em razão do descompasso entre um e outro, a própria mística do Atletiba anda em repouso. Talvez, com a esperança de que o Coritiba volte a ser como era.

Na quinta, 17h40, na Baixada, tem Atletiba.

Não é, mas, parece ser um jogo comum.

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