Não se muda a cultura de um povo. Encontra-se nesse fato, a explicação de que o futebol brasileiro é o único dos grandes centros mundiais em que não há um jogo de rivalidade nacional. Adote-se como exemplo os dois times mais populares do Brasil: Corinthians e Flamengo, nunca terá a essência de Corinthians x Palmeiras e de Flamengo x Fluminense. E, assim, são os jogos dos outros mais tradicionais: são jogos especiais, mas sem a oposição diária e pessoal, que a história absorve e a transforma em rivalidade. Para nós, sempre será o Atletiba.

Athletico x Flamengo, que jogam nesse sábado na Baixada, pelo Brasileirão, foi jogado tantas vezes nos últimos anos, sempre em caráter decisivo, que alcançou esse estágio de jogo especial. Não há flamenguista do Leblon ou do Alemão que não conserve um resto de lembrança da goleada do Furacão por 3 a 0, no Maracanã, na semifinal da Copa do Brasil de 2021.

O jogo de domingo, na Baixada, não tem caráter decisivo. No entanto, carrega um elemento interior que pode provocar exaustão: são dois times e dois treinadores, que carregando a desconfiança da torcida, estão em crise técnica.

De um lado, o Athletico que sempre está recomeçando, em razão de que o tal projeto de Petraglia, nada mais é que corrigir a si próprio, que no futebol significa improviso.

Do outro lado, o Flamengo, que por falta de comando do futebol, permite que os técnicos se tornem reféns da vontade dos antigos jogadores.

Uma derrota nesse jogo trará um grande desconforto para ambos. Para o Athletico, em especial, que não terá mais como absoluto, o argumento de que Carille precisa de tempo para formar um time. Afinal, quem está na lanterna, sem marcar um único ponto, sem fazer um único gol e tomando cinco gols em dois jogos, não tem o direito de dar tempo ao tempo.

Será um jogo nervoso.

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