Certa vez ouvi de Paulo Roberto Falcão a seguinte história: na Copa do Mundo da Espanha, antes do jogo contra a Itália, o imortal Telê Santana falou aos jogadores do Brasil. "Todos nós queremos vencer jogando o futebol que está encantando o mundo. Mas não esqueçam que jogamos com o benefício do empate”.

O resto conta a história que minha geração até hoje teima em acreditar: o Brasil duas vezes buscou o empate e o alcançou. Mas Zico, Sócrates, Falcão e todos nós, com a ambição de vitória, esquecemos que existia o empate. Então, Paolo Rossi fez 3 a 2 e aquele Brasil juntou-se à Holanda de 1974, como vítima da injustiça da bola.

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O Athletico joga contra o Caracas. Aos trancos, conseguiu sair da lanterna do seu grupo para jogar por um empate na Baixada. E os motivos para ganhar vão bem além do orgulho que provoca a vitória. É a liderança do grupo e o benefício do mando do segundo jogo, na Arena, na fase eliminatória.

O Furacão é favorito. E deve ganhar. No entanto, não deve jogar com o orgulho por ser, em tese, melhor. Escrevo assim porque, ainda em formação, depende mais do esquema e dos discursos de vestiário de Felipão. Às vezes, a ambição de vitória por orgulho, torna-se traidora. Mais ainda, pode levar ao arrependimento de que já sabia que o empate era o bastante para pagar a obrigação.

Mais do que ninguém, Luiz Felipe Scolari, o treinador, sabe que quando a solução pode ser dada com o empate, são desnecessários maiores riscos. Todos os caminhos nos levam à Baixada.

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