Não há consolo para humilhação. São sentimentos que não se combinam. Não obstante, o Athletico é tão exótico que consegue harmonizá-las no mesmo ambiente.

Humilhada pela goleada pelo sofrível São Paulo, no Morumbi, 4x0, a torcida acabou recebendo a demissão do treinador Alberto Valentim, como o seu dono entende ser um consolo, um “cala-boca”.

Só que a exclusão de Valentim não causou o impacto esperado como como ocorre com todo o fato que é previsível.

A sua cabeça estava há tempo no envelope para ser despachada. Sem destinatário, seria enviada como causa dos males do futebol rubro-negro. Se não foi antes, foi porque não se quis dar relevância à opinião da torcida.

A demissão de um treinador no futebol brasileiro é tão comum que foi transformado em ato simbólico. Mais do que a mudança de plano, é um escape que os cartolas usam para fantasiar os mais diversos erros.

A questão no futebol do Athletico é gravíssima. Para atender o seu “planejamento”, rasgaram-se os três meses mais nobres da temporada (janeiro, fevereiro e março) quando se constrói a base tática, técnica e física de um time.

Contra o Caracas e, em especial, contra o São Paulo, provou-se que o Furacão foi vítima da tática de terra arrasada. O novo treinador, que será um mortal, não poderá praticar o milagre de parar o tempo. No entanto, terá que fazer pelo menos dois dias, em um.

Em 2019, Tiago Nunes conseguiu. Só que lá jogavam Jonathan, Lodi, Léo Pereira, Lucho, Marco Ruben, Raphael Veiga e Rony e, agora, falta de qualidade em Hugo Moura, Cirino, Pedro Rocha, Cuello, Vitor Bueno e Marlos, o que torna complexo qualquer trabalho.

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