Debates não ocorrem por acaso, são motivados por fatos. Ao publicar no dia 3 de novembro, convocando os sócios para no dia 11 de novembro dar poderes totais para decidir sobre o Athletico S.A., a um Conselho Deliberativo teleguiado por seus interesses, Mario Celso Petraglia sufoca a capacidade de reação da torcida, condenando-a à inação. Só que, desta vez, avançou bem além dos limites que ele próprio traça para as suas ações.

É que ao deflagrar o processo de transformação do Athletico, em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), Petraglia pode estar dando um tiro no interesse imediato do clube, que é a formalização da divisão tripartite da dívida de R$ 700 milhões face a Paraná Fomento da reformulação da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014. 

A abertura intempestiva e obscura do processo do Athletico S.A. provoca dúvida no convencimento e na disposição do Poder Público (Estado do Paraná e Município de Curitiba) de transigir para a finalização da causa. Não se surpreendam se o governador Ratinho Júnior impor como condição do acordo, a de impedir que o patrimônio do Athletico penhorado (Baixada) e hipotecado (CT do Caju e direitos sobre ativos financeiros), não sejam objeto de negócios com futuros acionistas do sociedade anônima.

A dúvida é razoável: como o P

oder Público irá transigir em direitos que o beneficiário (Athletico) poderá incluí-los em negócios privados com terceiros estranhos (acionistas)?

Afirmo que os ânimos no Palácio Iguaçu e no Tribunal de Contas, cuja autorização irá vincular o governador Ratinho, ficaram perturbados com esse ato, às escuras, de Petraglia.

Fico sabendo que Petraglia, em live, na segunda feira (8), irá responder perguntas de jornalistas e prestar esclarecimentos sobre o processo da transformação do Athletico em Sociedade Anônima do Futebol.

Agora é tarde. Só lhe resta um ato: mandar seu desmoralizado executor de ordens Aguinaldo Farias, presidente do Conselho Deliberativo, suspender a votação do próximo dia 11.

Depois de formalizar o acordo com o Poder Público, extinguir o processo com a Fomento Paraná, pagar as desapropriações ao município e, aí sim, o Athletico S/A, depois de ser debatido com a torcida, poderá ser implementado.

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