Baixada, 5 de outubro de 2021

Excelentíssimo Senhor Prefeito

A magnitude da sua carreira pública é repleta de fatos e pessoas tão expressivos que algumas passagens e pessoas se tornaram insignificantes.

Talvez, por isso, Vossa Excelência não deva lembrar de que já fomos companheiros de redação de jornal. Foi no Correio de Notícias, do Max e Manoel Rosenmann, e Adolpho de Oliveira Franco, da bela Amintas de Barros que vai dar na Reitoria. Repórter esportivo, eu já admirava o exuberante texto nas colunas sociais de Vossa Excelência e de Margarita.

Mas a questão, aqui, não é a de recordar esses tempos. É muito mais importante, pois se trata do drama que a torcida do Athletico está passando.

É que o seu presidente, Mario Celso Petraglia, reprime o clamor da torcida para ver o Furacão, sob o pretexto de que abrir a Baixada para 5 mil torcedores aumentará os prejuízos do clube na pandemia. Antes, a torcida teve o seu direito suspenso pela ordem de um magistrado do Tribunal de Justiça, que se equilibrando entre a ciência e Petraglia, atendeu ao pedido do Athletico. E, quando poderia ser protegido pelo Conselho Deliberativo, a maioria dos conselheiros, mostrando submissão, votou contra, embora a adesão não tenha nenhum efeito jurídico.

Pode até parecer curioso que Petraglia não tenha protestado contra o limite imposto pelo decreto de Vossa Excelência. Pode até ser surpreendente que entre protestar contra Vossa Excelência ou brigar com a torcida, o cartola tenha preferido a segunda hipótese.

Não é curioso e nem surpreende. Petraglia escolheu a torcida como vítima, porque fez o Athletico refém do Município. Entre os acertos da última campanha, Vossa Excelência prometeu concordar com a divisão tripartite da dívida da Baixada, parcelar os R$ 35 milhões da desapropriação e renunciar ao direito de ocupar 50% do “setor de imprensa”, que iria inviabilizar o uso da parte da Arena.

Ocorre que a torcida do Athletico não tem que pagar a conta dos excessos do seu presidente e das promessas de Vossa Excelência. Sem poder contar com Petraglia e sem poder contar com a Justiça, a torcida só tem uma maneira de voltar a ver o seu querido Furacão: é o Município revendo o decreto, e aumentando o limite de torcedores na Baixada, o que implicará no aumento de público no Couto.

Por ser leigo não especulo qual seria o número possível.  Mas, adotando algumas regras, como a de impedir torcidas organizadas, cuja aglomeração é da sua natureza, exigir testes e vacinação completa, pode tornar possível que pelo menos 15 mil torcedores tenham acesso aos estádios, como ocorre em todos os outros estados do Brasil.

Com recomendações a Margarita, ofereceu meus respeitos Senhor Prefeito.

Augusto Mafuz

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