Na Serrinha, em Goiânia, com gol do colombiano Kevin Viveros, o Athletico ganhou do Goiás, por 1 a 0. Quando escrevo, estaria de volta ao Brasileirão. Viveros custou R$ 28 milhões.

Qual será o valor desse gol? Para responder, recorro à minha reserva de grandes lembranças.

Em 1984, no último minuto do Fla-Flu, Assis recebeu a bola em jogada de Aldo e Delei, e com um chute no contrapé do goleiro Raul Plassmann, fez Fluminense 1 a 0, dando-lhe o bicampeonato carioca. 

Já havia decidido o título de 1983. Foi então que a torcida tricolor adaptou a marchinha de Aldacir Marins e Macedo e saiu cantando pelo Rio de Janeiro: “Recordar é viver, Assis acabou com vocês”. 

Esse fato coincidiu com o final do contrato de Assis. Reunido com o dirigente José Carlos Vilela, Assis pediu o valor do preço da casa que queria comprar na Vila Isabel, em Curitiba. O falecido Vilela respondeu: “Nem Romerito ganha o que vocês estão pedindo”. 

Argumentei:

“Gol custa caro. É o que Assis quer”. Assis comprou a casa na Vila Isabel para Ana Lorena e os filhos Fernanda e Gustavo.

Em 1986 ocorreu com Washington. Em reunião no Banco Icatu, o argumento usado para ter um apartamento no condomínio Barramares, na Barra da Tijuca, foi o mesmo: “Gol custa caro. É o que Washington quer”. Um jovem economista, vejam só, de nome Pérsio Arida não conseguia entender essa “valoração” usada no futebol.

Esse gol de Viveros pode não ter preço. O seu significado irá além do benefício financeiro na hipótese do “milagre” ser consumado, que é a volta do Furacão ao Brasileirão. Irá significar a restauração da alma e do orgulho atleticano. Esses não tem dinheiro que pague.

A história no futebol para ser escrita depende do futuro. Pode ser que o Athletico tenha recomeçado o seu futuro na Serrinha, em Goiânia, com essa vitória.

Faça-se justiça, o treinador Odair Hellmann desta vez armou um Athletico perfeito para as características do jogo. Embora a sua disposição não fosse a de correr risco para ganhar, usou o conservadorismo de jogar por uma bola.

E nem era necessário ir além disso, em um time com Benavídez, Zapelli, Julimar e Viveros. Era certo que haveria pelo menos uma bola. E foi o bendito Julimar que a encontrou para colocar Viveros na cara do excelente goleiro Tadeu. Uma bola, assim para Viveros, é caixa.

A torcida e a máquina de calcular, agradecem.

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