Brasileirão, Couto Pereira: Coritiba 0x1 Athletico.

Quando escrevi que o Coritiba é o Athletico de ontem, não faltaram aqueles que trataram a conclusão como ironia e desprezo.

Muitas vezes de antigamente era assim: o Furacão dominava e dominava. Perdia gols e perdia gols. E, daí, com o jogo tomando o rumo do final, o Coritiba frustrava as suas ilusões. E vencia. Quantas vezes os atleticanos praguejaram contra a injustiça da bola. Ignoravam que no futebol não existe o justo ou injusto. Existe o fato, que é a realidade.

A análise exige muito da derrota do Coritiba e pouco da vitória do Athletico. É que nessas contradições do futebol, o Coxa não perdeu em razão do que o Furacão jogou. Perdeu pelos seus defeitos que parecem insuperáveis.

Dos 95 minutos jogados, teve apenas um minuto em que o Coxa não foi superior. Foi aos 51 minutos da etapa final, quando o VAR convocou o excelente árbitro Luiz Flávio de Oliveira para analisar o soco do goleiro Rafael William em Vitor Roque. Pênalti indiscutível, gol de Khellven contrariando a vontade disfarçada da RPC.

De resto, o Coxa foi superior. Com a exceção de uma defesa de Rafael, não sofreu um único ataque rubro-negro. Submetendo o time de Felipão ao seu domínio, aproveitando-se da fragilidade de Erick e Pablo Siles na marcação, de Cirino e o pouco lúcido Cuello na frente, traçou uma linha divisória. Do meio campo para o gol de Bento, só ele ditaria o ritmo. Com Thonny Anderson como o chefe da banda, ditou.

Mas, com o tempo o Athletico foi mandando o Coritiba para a sua dura realidade: a definitiva certeza de que o campeonato que disputa é contra o rebaixamento.

O jogo de horrores do Furacão foi compensado pela fragilidade técnica do Coritiba. Nos passes e nas conclusões ao gol, o time de Morínigo mostrou que a superioridade tática nada vale sem o mínimo de qualidade individual. Com toda essa supremacia, o grandioso Bento definiu apenas duas jogadas.

Khellven, pela frieza na finalização do pênalti (último minuto de um Atletiba), foi o nome do jogo. O melhor foi Thonny Anderson.

O Athletico de Furacão provou o que a lição de Jorge Valdano ensina: o futebol é um campo tão aberto à grandeza quanto à miséria.   

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