Pela Copa do Brasil, no Mineirão, Atlético-MG 4x0 Athletico.

Não sejamos hipócritas. Não há outra razão para explicar a goleada no Mineirão, que não sejam as diferenças individuais e de comando entre Galo e Furacão. O simbolismo desse fato extrai-se da literatura de botequim depois de um jogo como esse: dos dezesseis jogadores que vestiram a camisa do Furacão, nenhum jogaria no Atlético-MG.

O Athletico não foi derrotado; ele próprio se entregou. Se há razão para ser investigada para explicar essa conduta de leniência, omissão e desarranjo emocional, poupo o leitor em geral, e o torcedor rubro-negro, em especial.

Por vaidade, o treinador Alberto Valentim, com a pretensão de se afastar da sombra de Autuori, quis mudar o esquema tático do time. Ao invés de manter a mesma ordem que eliminou o Flamengo e ganhou a Sul-Americana, de Paulo Autuori, determinou e treinou com "marcação alta".

Após, o treino de quinta-feira, os jogadores se reuniram e solicitaram a Valentim que mantivesse a ordem anterior. O treinador recuou, mas, na sexta-feira, não fez um treino específico para provocar a memória que já tinha absorvido a ordem da semana. Bem por isso, sem a consciência tática que o jogo exigia, os atleticanos entraram à beira de um ataque de nervos. Kayzer, Nikão e Thiago Heleno pareciam personagens de Almodóvar.

A jogada do segundo gol do Galo, aos 34’, de Keno, é o resumo dessa desordem do time pela falta de comando: os mineiros ganharam a bola no meio campo e vieram trocando passes sem nenhuma ameaça de assédio rubro-negro. Keno recebeu e driblou sem combate para inibir o seu chute, que venceu Santos. E bem antes, aos 20’ da etapa inicial, por essa desordem, Cittadini se atrasou para combater Zaracho e cometeu o pênalti que Hulk, converteu em gol.

O terceiro gol mineiro, de Vargas, foi consequência dessa bagunça tática que enervou Thiago Heleno, que fez o que não faz: erra na saída de jogo. A bola caiu com Hulk, que chutou para o rebote de Santos para Vargas marcar.

O chileno marcaria, outra vez, aos 23’ da etapa final, finalizando uma jogada de Nacho, quando o Galo parecia estar em um jardim de infância jogando o faz de conta. Quando colocou Fernando Canesin, Mingotti, Nicolas e Jader, sem nenhum objetivo tático, Alberto quis dar uma lição ao comando de Autuori e Petraglia para afirmar: “É isso o que temos”.

Desde que os ingleses chutaram pela primeira vez uma bola (26 de outubro de 1863) passaram-se 158 anos. Não se tem notícia que alguém do futebol tenha sido canonizado pelo milagre da reversão de um 4x0 diante das diferenças descomunais entre Galo e Furacão.

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