No Couto Pereira, Coritiba 4x2 Maringá.

Como se fosse um fato bíblico, assim estava escrito, e assim se fez: os coxas são campeões do Paraná, em 2022.

Para a sua história recheada de tantos títulos estaduais, esse poderia ser encerrado como mais um. Sem o brilho técnico das conquistas que passaram por Hidalgo, Hermes e Cláudio Marques, essa estaria fora do ambiente dos títulos eternos.

No futebol brasileiro atual não há campeão pelo belo, há campeão pelo justo. A conquista justa já encerra todas as razões.

Aprendi lendo e relendo Nelson Rodrigues que o futebol “não é a bola, é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão”. Daí quando escrevo não trato só do jogo jogado, porque esse imprime um juízo real que, às vezes, ofende a sua beleza interior. O futebol para mim é o fascínio dos mistérios.

A conquista coxa foi jogada no campo do drama. Eis, então, a sua beleza: embora seja o maior ganhador estadual, esse título de 2022 para o Coritiba é o simbolismo que procurava para dar rumos definitivos à sua definitiva volta à vida, depois de quase se suicidar.

É um título para readquirir a fé em si mesmo, libertar-se das amarras das frustrações dos últimos tempos.

Para se ter a exata noção da importância desta conquista, basta imaginar a hipótese inversa, o da sua perda. Seria uma tragédia. O final de um drama pode ser feliz ou não. Esse foi feliz. Mas, a tragédia sempre guarda uma desgraça, só restando saber a sua dimensão e as suas consequências.

A vitória sobre o Maringá, essa sim foi um simples detalhe diante do forte simbolismo do renascimento, embora tenha sido portentosa como é uma vitória por 4x2, em uma decisão.

Houve um desconforto no Couto Pereira, é verdade. Dos 15 minutos de jogo quando Bianqui marcou o gol do Maringá (1x0) ao primeiro minuto da etapa final quando Alef Manga empatou (1x1).

Nesse tempo, os coxas levaram os seus sentimentos ao extremo, da euforia à apreensão até alcançar a felicidade com os dois gols de Igor Paixão, realizando o sonho de menino, aos 4 e 7 minutos, 3x1.

Nem o segundo gol do Maringá, o de Salles, aos 32 minutos, influiu no ambiente de alegria do Couto.

Se precisava de uma coroa de campeão, ela foi ofertada aos 39 minutos por Léo Gamalho: na entrada da área, a matada de bola no peito, foi como uma mãe amamentando o filho; e, o chute cruzado, de fora da área e no ângulo, foi como uma mãe colocando o filho para dormir.
Coxa 4x2. E campeão!

Essa coluna é uma homenagem a Luiz Dernizo Caron e aos seus filhos André, Deni e Guilherme. O outro, Henrique, não resistindo aos sentimentos do filho Leonardo, acabou, quem diria, na Baixada.

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