Convocados, os associados do Athletico, no próximo dia 11, deverão responder: o Athletico deve se transformar em sociedade anônima? De imediato, afirmo: sou a favor da transformação do Athletico em Sociedade Anônima do Futebol, ou SAF.

A existência como clube associativo está superada. Nem o romantismo a sustenta. Para ganhar títulos nacionais e internacionais as suas fontes só permitem a sobrevivência digna, mas não a vida intensa com conquistas: a contribuição de sócios, a indenização pela cessão de direitos para a televisão, e a cessão de direitos de jogadores são fontes incertas por serem dependentes do resultado de campo.

Mas, tratando-se de Athletico, a minha adesão à proposta termina aí. É que a operação está sendo executada às escuras, sem oferecer o mínimo espaço para debates, questionamentos, até o convencimento pleno de que a forma a ser adotada é a melhor para o Athletico.

Não duvido das intenções de Mario Celso Petraglia. No entanto, agora, devem ser controladas e fiscalizadas. Há fatos que, ainda, devem ser considerados sobre a conduta ambiciosa e, às vezes, sem limites do cartola.

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Lembremos: o Furacão deu um cheque de R$ 180 milhões para Petraglia construir a Baixada, mas, sem autorização, ele gastou R$ 350 milhões, que não pagou, e há seis anos está sendo incapaz de finalizar o acordo tripartite.

Bem por isso, o Athletico tem todo o patrimônio hipotecado e penhorado por uma dívida de R$ 700 milhões com a Paraná Fomento, que os encargos contratuais e judiciais remuneram em 10% ao ano. Esperando um parecer inusitado (competência) do Tribunal de Contas, o Athletico só ainda não foi constrangido com o leilão da Baixada, em razão da intervenção política de atleticanos que com Petraglia, também, construíram o novo Athletico e, que, depois, por ele foram desprezados.

Os conselheiros, às cegas, autorizaram Petraglia a mudar os elementos de identidade do clube. Antes da reunião ele já havia mudado a camisa, a marca, o nome e o mascote.

Sem autorização estatutária, Petraglia se auto contratou como CEO, em um conflito evidente de interesses com o cargo de presidente.

Todos esses fatos devem ser considerados, porque a questão da transformação do Athletico em sociedade anônima é complexa. Pelo aspecto jurídico, em qualquer dos três modelos da lei, há uma alienação do patrimônio do clube. Mas, esse aspecto pode ser ajustado, aceitando que, mesmo que remotamente, as intenções de Petraglia se limitem ao bem do Athletico.

A questão mais importante é outra: é a que coloca na frente de tudo o Athletico como um valor de vida de milhões de pessoas. Bem por isso afirmo, que os milhões de atleticanos, representados por uma fatia mínima que são os sócios, não deveriam ser provocados de surpresa a se manifestar sobre um assunto que desconhecem, e que irá influir nas suas vidas. O Caju, a Baixada e tudo o que se relaciona ao Athletico, é parte do patrimônio imaterial do torcedor.

O edital de convocação é de 3 de novembro de 2021.  A votação é no dia 11 de novembro de 2021. Nenhum sócio, mesmo aqueles que tenham formação jurídica, não está preparado para votar uma matéria tão complexa, em razão de que envolvem além de valores materiais, o sentimento popular.

Mario Celso Petraglia está sendo desleal com a torcida do Athletico, que, em sua maioria, o respeita. Ele não só tem o dever, como tem a obrigação de submeter essa matéria à votação, somente depois de esclarecer publicamente, a forma, os riscos e as vantagens da operação. Assim, o sócio votará por consciência e não pela alienação a resultados de campo e construção de um patrimônio que ele próprio pagou e, ainda, irá ter que pagar.

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