Autossuficiência significa a absoluta dependência de outrem. Não entendo que o Athletico seja autossuficiente.

Os vínculos negociais entre o Furacão e Mario Celso Petraglia se tornaram tão fortes que criaram uma espécie rara de mecenato: em dado momento, essa união que começou em 1995, passou a ter como objeto a reciprocidade de ajuda por interesses.

Se essa prática era censurada pelos costumes da época (1995), tornou-se legal pela conduta tática do clube que a ela nunca se opôs diante das realizações e conquistas sob o comando do dirigente. Eu próprio que era contra, hoje aceito essa relação pela dependência que dele se criou.

No entanto, fazendo uma visita a esse passado, eu afirmo que, até esse momento, o Furacão deu bem mais para Petraglia do que dele recebeu.

Explico.

Mais um ano se passou desde junho de 2014, sem que a indisponibilidade do patrimônio do Athletico fosse afastada. Os resultados de campo mascaram uma situação jurídica que já passa a ser uma espécie de espada de Dâmocles apontada para a cabeça do Furacão.

E não decorre da responsabilidade pelo pagamento de 30 moedas, mas de valores extraordinários que somados (Fomento Paraná e Município de Curitiba) batem nos R$ 750 milhões.

Essa questão eu não analiso de forma abstrata como faz o torcedor que não acredita em perdas quando o credor é o agente público. E não o faço por um fato: o Athletico transformou a sua causa jurídica justa e, que inevitavelmente seria procedente, em causa política.

A divisão tripartite que seria consagrada com uma simples sentença, incluindo valores que não estão sendo considerados, se transformou num jogo político.

Desde março de 2020, os recursos processuais estão sendo suspensos, o que só beneficia ao credor Paraná Fomento. A suspensão não paralisa a incidência dos encargos judiciais sobre o seu crédito. Para o torcedor ter uma ideia, só em 2021, a média desses encargos vai bater em 13,8% sobre o valor total da dívida.

Bem por isso, continua aumentando de forma descomunal o valor do crédito da Paraná Fomento, enquanto o valor de referência do gasto da Baixada está congelado.

E considerando que o Athletico não consegue ter o direito de negociar as cotas do potencial construtivo (e já poderia ter conseguido judicialmente), nem a divisão tripartite poderá ser sustentável pelo clube.

Mas, à essa altura, o problema não é só do Furacão. O governador Ratinho não está percebendo que a demora do acordo, qualquer que seja a solução, terá um custo político, financeiro e moral, também, para ele. Nem que seja por lei. Quanto mais tempo passa, mais encargos são incluídos, mais valores terão que ser cortados para se alcançar o justo. E no futebol o justo é compreendido pela cor da camisa.

O governador Ratinho tem uma palavra a dizer. E, imediatamente.

Entro em férias. Deus abençoe a todos vocês.

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