Lamentável a situação criada pelos dirigentes do Paraná. Dificuldades financeiras são compreensíveis, mas falta de consideração pelo trabalho dos outros é inaceitável.

Ao fazer o time ficar na antessala da presidência à espera de uma solução para os quase três meses de salário atrasado, a cúpula tricolor mostrou que o clube está realmente no buraco. Buraco mesmo. Não tem mais meio-termo. Foi a pior cena do clube nos quase 21 anos de existência.

Walter Alves / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Jogadores esperam resposta da diretoria na sede social do Paraná Clube

No início dos anos 2000, a instituição viveu situação similar. Estava em processo pré-falimentar durante a gestão de Ênio Ribeiro.

Na ocasião, por sorte do destino, o clube se recuperou graças ao vácuo da Lei Pelé. Tinha um patrimônio de bons jogadores. Eles foram negociados para pagar a conta.

Após sobreviver à Copa João Havelange, muito pela safra de bons atletas, voltou sem estrutura alguma à Série A.

Em 2002, por exemplo, talvez o torcedor menos desavisado nem saiba, o Paraná não tinha recursos para levar a delegação a jogos em estados vizinhos de avião.

Todo confronto em São Paulo, por exemplo, o grupo entrava desgostoso no ônibus para a desgastante jornada. A medida provocava um clima ainda pior. Alguns boleiros queriam jogar e logo entrar no busão para voltar para casa. Mas o clube insistia em pernoitar nas cidades. E dá-lhe sol na cara nas longas jornada de estrada.

A dedicação de profissionais como Maurílio, Marcos e Márcio Nobre – além do então iniciante como técnico Caio Júnior – foi decisiva para tirar o clube daquela crise.

Desse período obscuro ficaram muitas ações na Justiça do Trabalho. Uma conta que tem de ser paga pelos atuais dirigentes.

No entanto, o cenário do passado não chega nem perto do atual. Parece que o clube não tem mais fórmulas mágicas para levantar a cabeça.

Talvez seja a hora da torcida ajudar. Mas como? Não existe uma estratégia clara, límpida com credibilidade para alguém se aventurar na reconstrução do clube.

Quem sabe a alternativa menos problemática envolva refazer parcerias com empresários. Vale a pena? Se for nas bases de mercado, pouco servirá para ajudar a saúde financeira paranista.

Uma terceira via exige criatividade.

A torcida tricolor merece uma resposta da diretoria sobre o futuro.

É trista para quem gosta da agremiação acompanhar o descaso no pagamento de salários de jogadores e funcionários de longa data no clube. Assim como o descaso – florido com a cara de preocupação — de clubes rivais, que tratam o Paraná com um carinho constrangedor, colocando-lhe em um papel indigno: o de coitado.

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