Kai Pfaffenbach/ Reuters

Papo mezzo atletismo, mezzo futebol. Comentei outro dia com o colega Irinéo Netto, editor assistente do Caderno G, grande admirador de Esportes, que considero Usain Bolt o maior atleta da atualidade, seja em qual for o esporte. Maior até que Phelps.

Bolt na pista é vitória certa. Ele já passou daquele estágio de correr contra os adversários. Sua disputa é contra si mesmo, contra a história, contra as previsões.

De tanto ver, ler, ouvir e falar sobre Bolt nos últimos dias, lembrei dos nobres velocistas dos gramados. Espécie em extinção, diga-se de passagem. Hoje em dia não se vê mais aquele jogador correndo pela ponta, esticando até a linha de fundo e metendo a bola na área.

Ao invés de se movimentar para a frente, os atacantes movem-se para os lados, em diagonal. Ficou tudo muito pasteurizado.

Recorrendo à minha cada mais hesitante memória de quase trintão, listo alguns velocistas que passaram pelos nossos gramados. Vocês completam aí nos comentários e a gente faz aquele postão colaborativo. Ok?

Mirandinha
Dono de frases marcantes, do tipo “só alcançaria aquela bola se tivesse dois pulmões” e “não consigo correr e pensar ao mesmo tempo”, Mirandinha tocou o horror com a camisa 7 do Paraná. Podia sair 5 metros atrás dos beques que chegava 5 metros na frente. Marcou demais pelo gol de calcanhar contra o Atlético, no Couto, aplaudido até pelos rubro-negros.

Basílio
Amigos que viram a estreia de Basílio no Coritiba me contam a história, que, confesso, não sei se é verdade ou lenda. Mas, pelo espírito do post, fiquemos com a lenda. Primeiro lance da estreia de Basílio, bola esticada na ponta. O atacante sai atrás do zagueiro e chega bem antes. Na linha de fundo, torcida em pé, Basílio prepara-se para o cruzamento e… o músculo estira, ele cai e vai parar na boca do túnel. Fica alguns meses sem jogar. Mas quando volta, tem boas fases no Alto da Glória.

Carlinhos Sabiá
Ídolo de duas torcidas (Atlético e Paraná), Carlinhos era o terror dos laterais-esquerdos. Visionário da função, combinava velocidade e talento na mesma dose. Esse, ao contrário de Mirandinha, corria e pensava ao mesmo tempo.

Carlinhos Pé de Vento
No meio dos anos 90 um Carlinhos voltou a vestir a camisa 7 rubro-negra. Mas as semelhanças entre esse Carlinhos e o Sabiá pararam no nome e no uniforme. Veloz, mas de chute fraco e algumas furadas, virou Carlinhos Pé de Vento.

Maurílio
A lembrança mais próxima que os paranistas têm de Maurílio é daquele segundo atacante mais técnico, que até dava seus piques, mas primava pela ocupação inteligente dos espaços. Pois no início da carreira Maurílio era um ponta clássico, velocista. Muitos jogos na campanha vitoriosa da Série B 92 foram decididos em jogadas dele.

Valdeir
No início dos anos 90 a Globo exibia um seriado chamado The Flash, um super-herói de roupa vermelha cujo o superpoder era correr como um raio. Na mesma época, Valdeir brilhava no ataque do Botafogo. Januário de Oliveira, narrador da Band, juntou as duas coisas e criou Valdeir The Flash. Já bem mais lento, o atacante passou pelo Paraná no fim dos anos 90. Correu pouco e não deixou saudade.

Pachequinho
Outro velocista pela ponta-esquerda. Comeu a bola em 90 e 91. No ano seguinte, passou a conviver com sérias lesões, que minaram sua velocidade e atrapalharam sua carreira.

Kazu
Já ia fechar o post quando lembrei do japonês, que, pelo Coritiba, encarnou como ninguém a correria que sempre caracterizou o futebol oriental.

E vocês, lembram de outros “Bolts” que vestiram a camisa do seu time?

*****
Ah, antes que eu me esqueça. “O fiscalizador” pergunta qual a influência da L.A. na pauta da Gazeta, para tantos elogios ao Avaí e ao Silas. Fiscalizador, não escreva bobagem. A influência dele e de qualquer outro empresário é zero. E o Avaí está há dez jogos sem perder. Meio difícil não elogiar o time e o Silas, né, cidadão?

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