A panela de pressão que havia se tornado o atraso de pagamentos no Paraná explodiu na manhã desta terça-feira com a paralisação dos jogadores, que se recusaram a treinar na Vila Capanema. Atitude compreensível e justa. A boleirada tem suas contas a pagar e, como qualquer outro profissional, merece receber em dia. É dever de quem emprega, sem exceção.

Se os prazos baterem (um mês de salário e dois direito de imagem), coincidem com a arrancada tricolor na Série B. Seja baseados na confiança em alguma promessa dos dirigentes ou pelo simples senso profissional, os jogadores correram, ganharam jogos, somaram pontos, levaram o Paraná a um fim de Série B digno. Agora, esperam pela contrapartida acertada em contrato.

Do lado do Paraná, é compreensível que falta dinheiro e que os apertos acontecem. É uma realidade comum no futebol brasileiro, mas nem por isso aceitável. Se faltou dinheiro é, em regra, porque o planejamento deu errado. Ou gastou-se mais do que deveria, ou superestimou-se a projeção de receitas.

No caso específico do Paraná, tem a herança maldita construída diretoria após diretoria ao longo dos últimos anos, do loteamento dos jogadores do clube. O Paraná (e mais uma porção de clubes país afora) transformou seus jogadores em pizza, vendendo fatias a empresários, grupos de investimento e outros clubes. Como não consegue potencializar outras fontes de receita, o clube reduz bruscamente sua possibilidade de lucro com suas revelações. Aí, não tem jeito: atrasa salário, fecha no vermelho e, em casos extremos, vê a geralmente desarticulada boleiragem tomar atitude de trabalhar comum e cruzar os braços.

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Perante esse quadro, é urgente a captação de receita para o futebol estimada pelo grupo do Renato Trombini. Mais do que nunca o Paraná precisa de uma sinalização de que as coisas estão andando nesse sentido.

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