Mario Celso Petraglia retomou o discurso contra três times em Curitiba, uma das suas grandes propostas na retórica mercadológica do futebol. O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, em entrevista ao jornalista Julio Gomes, do portal UOL, deixou claro que não vê os rivais do tamanho do seu clube em um futuro próximo.

Perguntado sobre o papel do Coritiba em um mercado cada vez menos regional e mais nacionalizado, o dirigente soltou: “O Coritiba vai existir. O América do Rio existe. Não acabam. Mas a que nível vai existir? Essa é a pergunta. Não cabem três clubes de primeira grandeza em Curitiba, assim como não cabem quatro no Rio ou em São Paulo. Não tem mercado para faturar. Quatro no Rio faturando 640 milhões? Mas não há nenhum planejamento de médio e longo prazo. Clubes não têm uma pesquisa para saber a quanto andamos, as tendências. Ninguém se preocupa com o futuro, é o jogo da quarta e do domingo.”

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Sobre o tese de uma rivalidade ganha-ganha, natural em grandes centros do esporte, Petraglia viu no caso paranaense uma exceção. “Em Curitiba, desequilibrou. O Paraná era um clube riquíssimo, uma fusão de cinco, com patrimônio enorme, que, por más gestões, ficou pelo caminho. Decidiu gastar, contratar os Luxemburgos da vida. O Coritiba deitou em berço esplêndido, era o mais rico, único campeão brasileiro, com estádio e achou que o que estávamos fazendo não atrapalharia a vida dele. Ficaram para trás, né? Então agora vai existir, mas a que nível? De primeira grandeza, entre os primeiros dez do Brasil, só cabe um aqui.”

A entrevista, autorizada a reprodução neste blog pelo autor, tem outras frases interessantes de Petraglia. 

1 – “Gostaria que o Joaquim Barbosa tivesse sido candidato [à presidência], teria meu voto.”

2 – “Achávamos que seria fácil colocar aqui 40 mil pessoas em todos os jogos. Tem muito pão duro em Curitiba”

3 – “O futebol ninguém sabe se é público ou privado. Estamos sob o regime do direito privado, mas há interferência pública absurda. Estabelece preço do ingresso, metade pra idosos, professores, estudantes, etc.”

4 – “O que move o futebol é dinheiro. É grana. É business”

5 – “Não somos donos do clube. Estamos donos do clube”

6 – “Era um clube de várzea, de bairro, que não remendava a meia, que comprava roupa no botequim da esquina para poder jogar. Não tinha onde treinar, onde jogar, não existia. Em 20 anos, foi feito o clube mais rico das Américas, dito pela Soccerex”

7 – [Como ter mais sócios?] “Essa resposta eu já tive. Já tive. Não tenho mais. No pré Copa, eu tinha absoluta certeza que pela qualidade do estádio, pela segurança, pelo conforto, 40 mil sócios seriam fáceis (…) Estava errado.”

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