Como se já não estivéssemos carecas de saber, tivemos mais uma demonstração de que os empresários mandam no futebol de hoje e os clubes tornaram-se entrepostos comerciais. A prova mais recente (uma vasculhada descompromissada na rede fará aparecer mais umas quinhentas) está aqui, no papo do Luiz Alberto Oliveira com o repórter Eduardo “Simprão” Klisiewicz, da Gazeta, sobre o goleiro Zé Carlos.

Em resumo, Zé Carlos não fica porque antes não quiseram apostar nele, agora já está selada a ida dele para o Avaí e que o jogador até será ouvido, mas nada mudará seu destino. Não chequei no twitter, mas periga o empresário ter deixado lá uma mensagem no padrão Xuxa-defende-Sacha: “Não vou deixar mais vocês falarem com o meu anjo, pois ele foi alfabetizado em inglês”.

O clube, aí, vira mero espectador. Terá de ir atrás de outro goleiro no ano que vem e azar. E isso que foi no Paraná que Luiz Alberto se criou como empresário, primeiro com a polêmica troca de jogadores por refeições e depois com participação crescente no time profissional, interrompida pela negociata do Miranda com o Léo Rabello. Pelo trabalho exibido aqui que conseguiu abrir as portas do Avaí.

Outra coisa que não consigo engolir é o Paraná virar incubadora do Avaí. O goleiro vem aqui, joga, ganha ritmo, confiança e aí segue para brilhar no Leão da Ilha. Isso que na pior das hipóteses Avaí e Paraná são do mesmo tamanho. Soa a humilhação até.

Muito da culpa disso é da diretoria do Paraná, que, incompetente, só consegue montar times através de terceiros, seja técnico ou empresário. Mas também é culpa dos empresários (em geral, não só o Luiz Alberto), que devolveram os jogadores á condição de mercadoria, que ocupavam até o fim dos anos 90.

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Ninguém me convence de que a L.A. Sports está jogando, tentando cavar uma saída da Base para dominar o futebol tricolor de ponta a ponta. Ou, se não uma saída, pelo menos uma nova participação nas revelações do clube.

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