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Os caminhos do choro

Por
Redação
01/08/2012 19:16 - Atualizado: 27/09/2023 15:52
Os caminhos do choro
Mark Ralston/ AFPMark Ralston/ AFP
Jogadoras de Brasil e Austrália disputam a bola no torneio olímpico.

A seleção brasileira feminina de basquete não está no mesmo nível das principais adversárias, isso parece muito claro. E não é culpa das meninas. O esporte tem pouca repercussão no país fora das grandes competições internacionais. Mesmo assim, elas têm mostrando lampejos de superação, encarando de igual para igual adversários como a Austrália, nesta quarta-feira (1º/8). O problema é que esses momentos brilhantes são cercados por períodos de baixa produtividade. Altos e baixos que custam caro na somatória dos quatro quartos de um jogo.

Depois de engrossar um duelo praticamente perdido diante das australianas, a seleção brasileira desmoronou em quadra. Em sua última Olimpíada, Adrianinha capitaneou o choro. Reclamou das críticas e lamentou a derrota nos famosos detalhes. “A gente merecia a vitória, mas não está acontecendo”, concluiu a armadora, abalada com a série de três insucessos na capital inglesa. Sentimento precisamente igual ao expressado por outra armadora, Joice, em outro canto da quadra.

Nenhuma declaração, porém, é mais emblemática do que a da ala/armadora Karla, cestinha do embate com 22 pontos. “Perder é muito difícil. E ainda tem um monte de gente dizendo que somos ruins. A gente é guerreira. Queria que fosse diferente, queria dar mais orgulho aos meus pais, aos brasileiros”, desabafou.

Esse “queria que fosse diferente” pode começar justamente nessas lágrimas. Não exatamente em termos de resultado, mas em satisfação própria, em sensação de missão cumprida. Para isso, essa dor pelo fracasso, pela quebra da autoconfiança, precisa servir de estímulo. Com a tensão extravasada, é hora de colocar o emocional no lugar, trabalhar melhor a bola, conter a ansiedade e minimizar os inevitáveis altos e baixos.

Ainda dá para recuperar o moral, o orgulho. Infelizmente, entretanto, sonhar mais alto na Olimpíada beira o impossível. Vencendo Canadá e Grã-Bretanha, a equipe topa com as norte-americanas na próxima fase, eliminatória. Aí, o que importa é não desistir – no mínimo, cair de pé.

O que as garotas não podem é deixar que esse choro leve o time para o outro lado, o da capitulação precoce. Até porque o emocional é um dos tais detalhes citados por Adrianinha. Um dos mais importantes. E que pode, sim, compensar o abismo técnico entre duas equipes. Sendo realista, qualquer lugar próximo ao pódio já seria uma conquista para a atual seleção, que ainda tenta se renovar para 2016.

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