Hedeson Alves / Gazeta do Povo

A derrota do Coritiba para o Corinthians mostra a criação de uma rotina perigosa no Alto da Glória. E não me refiro ao simples fato de perder o jogo, algo comum para o Coxa neste Campeonato Brasileiro. O grande problema é a forma como as coisas acontecem.

Vanderlei faz boas defesas. Marcelinho Paraíba tenta sozinho o milagre de fazer o time jogar. Leandro Donizete corre por todos os lados. Vicente não acerta um cruzamento. Márcio Gabriel acerta muito mais. A zaga se posiciona mal e paga pela sua lentidão. Marcos Aurélio joga dois minutos bem e hiberna no restante do tempo. Ariel dá umas caneladas na bola, tira uns gols, perde outros e às vezes mete a bola na rede. O time cai fisicamente no segundo tempo. Um jogo cotidiano. “Todo jogo ele faz tudo sempre igual…” cantaria Chico Buarque.

Você senta para ver um jogo do Coritiba no Brasileiro e sabe o que vai acontecer. Os erros e acertos do time são previsíveis, o que se torna uma tragédia cada vez maior. Com o tempo os adversários decoram como explorar os defeitos e anular as virtudes.

Sempre que o Coritiba foi bem neste ano havia por trás uma motivação extra. Seja por impedir que o rival fosse campeão estadual em cima do Coxa, seja para desbancar o time da moda na Copa do Brasil. Quando foi necessário tirar mais técnica e taticamente, não deu certo. Os treinadores falharam.

Ivo Wortmann porque é ultrapassado. René Simões porque é um psicólogo com prancheta na mão, não um técnico de futebol. Os dois foram contratados porque não havia opção melhor no mercado. Agora há.

Nelsinho Baptista está aí. Ney Franco deve cair se o Botafogo perder o clássico deste domingo para o Fluminense. Basta a diretoria se mexer, tomar uma atitude. Se os dirigentes jogaram para torcida ao trazer René, agora têm de bater no peito e chamar a responsabilidade para evitar uma tragédia ao fim do ano.

René Simões fez muito pelo Coritiba. É inegável que sua presença foi determinante para o acesso à Série A. Tem um lugar de destaque na história do clube por isso. Mas agora é hora de chamar René e, com todo o respeito, dizer: obrigado e tchau.

E vocês, acham o René o cara certo para manter o Coxa na Primeira Divisão? Se ele não for o problema, o que está errado e precisa melhorar no time? Desabafem nos comentários.

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