Hedeson Alves/ Gazeta do Povo
Zetti: técnico, comentarista ou dono de escola de goleiros?

O Paraná levou 12 dias para fazer o que já era cristalino quando foi eliminado da Copa do Brasil: mandou Velloso embora. Zetti vem aí.

A diretoria paranista tem a obrigação de vir a público reconhecer que perdeu tempo e dar uma justificativa convincente para essa demora. E que não venham com essa ladainha de que os últimos resultados deixaram a diretoria preocupada. Os jogos contra Iraty e J. Malucelli valiam, no máximo, para observar jogadores. Dizer que ali se testava o técnico é chamar a torcida e a imprensa de idiota.

Também é bom conferir como fica a política interna do clube. Claramente Aurival Correia perdeu a queda de braço para Márcio Villela e LA Sports, que queriam outro treinador no lugar de Velloso. Enquanto o presidente cravou duas vezes a permanência de Velloso, o diretor de futebol era reticente quanto à sua continuidade. No mínimo, Aurival foi precipitado.

A escolha do substituto também não foi a ideal. A prioridade era Vágner Benazzi, considerado caro demais, segundo informou o PC na CBN.

Sobrou o Zetti, que teve boa passagem pelo Paraná em 2007, com o vice-campeonato estadual, a classificação às oitavas de final da Libertadores e uma largada promissora no Brasileiro.

Não ficou por causa de outras propostas. Recebeu uma da Fortaleza, conseguiu um aumento e ficou. Na semana seguinte, apresentou à diretoria uma oferta do Atlético-MG. O Paraná não cobriu e ele foi embora. Coincidentemente, Zetti e Paraná perderam o rumo depois do rompimento.

A diretoria tricolor precisa ter segurança de que Zetti não vai balançar diante da primeira proposta. E Zetti também precisa passar a certeza de que a sua prioridade é ser treinador de futebol.

Nos últimos meses, vi Zetti como técnico de futebol, comentarista de tevê e dono de escola de goleiros. Nem ele parece saber o que quer da vida. Isso me lembra uma declaração do Caio Júnior após levar o Paraná à Libertadores. Ele disse que sua carreira só deslanchou quando decidiu que seria mesmo técnico, que deixaria de se dividir entre o banco de reservas e o microfone. Zetti precisa tomar essa decisão com urgência.

E o time?
Ah, sim, ponto importantíssimo. Com esse time do Paraná, nem Alex Fergusson sobe.

Década
Rendeu muita discussão nos comentários eu ter definido o Atlético como campeão da década. Alguns concordam comigo ao dizer que a década atual foi de 2000 a 2009; outros dizem que ela vai de 2001 a 2010. Vou explicar a questão.

Primeiro de tudo, conceitualmente década é qualquer período de dez anos, o que dá a ela uma definição mais flexível do que séculos ou milênios. E abre o caminho para o uso do termo década se tornar um samba do crioulo doido.

Para organizar essa bagunça, há um convenção de embalar as décadas com base no terceiro dígito do ano. Por exemplo, década de 80 ou anos 80 = 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1988 e 1989.

Essa é uma convenção contemporânea, algo do nosso tempo, usado no meio da moda, música, comportamento, economia e diversas áreas para embalar uma geração. E, sim, foge à lógica de séculos e milênios.

Assim, o ano 2000 foi o último do século 20 e do segundo milênio, mas o primeiro da década de 2000 ou anos 2000. Assim, a década de 2000 (ou anos 2000) vai de 2000 a 2009. Como os anos 90 foram de 1990 a 1999 e daí por diante.

Copa do Brasil

Luiz pergunta sobre a classificação do Paraná para a Copa do Brasil. Só via ranking da CBF, Luiz. Atlético e J. Malucelli estão garantidos pelo Estadual e o Londrina pela Copa Paraná.

Grêmio, Palmeiras, São Paulo, Coritiba, Vasco e Fluminense são times que certamente vão entrar pelo ranking. Mas algum (ns) deles pode ir para a Libertadores, o que abre mais vagas. É bem possível que o Paraná entre e a gente tenha cinco clubes na próxima edição da Copa do Brasil.

Link
Prometi e cumpro com algum atraso. Aqui, o link para a matéria com Noel Gallagher, do Oasis, no Caderno G do último domingo.

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