Quando subir as escadas na Arena da Baixada para o jogo contra o Bahia, pelo Brasileirão, Nikão vai alcançar uma marca que ninguém mais tem no atual elenco do Athletico. A camisa 11, que carrega títulos e momentos especiais, vai ser vestida pela 300ª vez. Sete anos, cinco títulos conquistados e 44 gols. Recordista e ídolo. Maycon Vinícius Ferreira da Cruz, o Nikão. O Nikão do Athletico.

14 de janeiro de 2015. Esta foi a data que o jogador foi oficializado como reforço do Furacão. Nikão era sonho antigo do clube. Aos 12 anos, Petraglia foi até a base do Mirassol para tentar trazê-lo ao Athletico. Em 2013, mais uma tentativa. O Athletico tentou de novo contratá-lo, mas, na época não conseguiu um acordo com o Atlético-MG, que tinha seus direitos. Mas o destino estava traçado, e dali a pouco a história começou a ser escrita.

Rechonchudo e pesando 92 kg, Nikão chegou ao CT do Caju com 22 anos. Já de cara, precisou emagrecer. Mas esse desafio foi pequeno se comparado às perdas dolorosas pelo seu caminho.

Com origem humilde, teve infância sofrida e saiu de casa com 11 anos para sustentar a família. Se afundou no álcool dos 12 aos 22, não conheceu o pai, perdeu a mãe Ednalva aos oito (vítima de câncer), a avó Rita aos 16 (vítima de uma parada cardíaca) e o irmão mais velho, Thiago, que se envolveu com tráfico de drogas, morreu em um acidente de carro.

Nikão se moldou ao Athletico, e deu sua cara ao clube. Bruno Guimarães, Marco Ruben, Marcelo Cirino, Renan Lodi, Rony… tantos se foram, mas Nikão ficou. Enquanto curava as feridas da vida, fez do Furacão a sua casa. Com ele, o Furacão envergou a alcunha de El Paranaense, ganhou títulos até então inéditos, como a Sul-Americana 2018 e a Copa do Brasil 2019, e consolidou sua ascensão. O Athletico fez bem a Nikão. E Nikão fez um bem enorme ao Athletico.

Quando precisa, Nikão encarna o espírito de "catimbeiro". Prende a bola no escanteio como ninguém, cadencia, acelera, dá o passe na medida. Potência na canhota, importante na defesa, fundamental no ataque. Domínio de bola, virada de jogo… decisivo. Protagonista.

Já chegou a dizer que não batia mais pênalti pelo Athletico, em 2017. Mas nunca, jamais, deixou de mostrar a sua gratidão pelo clube. Em seus 97 anos de história, o Athletico teve Nikão por sete temporadas.

Para o torcedor, um jogador como Nikão é daqueles que não se vende, nem se negocia. É daqueles para ter no elenco até se aposentar. A data do último capítulo de Nikão do Athletico está próxima. Até lá, uma só certeza: Nikão botou seu nome na história do clube.

O ciclo está acabando. E não é de hoje que Nikão deixou claro, sempre de forma respeitosa, que deseja novos ares, quem sabe jogar no exterior e fazer o famoso pé de meia. Já tem 29 anos, não é mais um menino. O Athletico bem que tentou, ofereceu um contrato maior, mas o jogador parece caminhar para seus últimos meses vestindo a camisa vermelha e preta, para a tristeza dos atleticanos. Mas é fácil cravar: será difícil aparecer outro Nikão no Athletico. Até lá, desfrutem.

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